Psiadolescentes – o weblog sobre Adolescência e Saúde Mental

Yes!Olá a todos!

Este é o post número 100 do Psiadolescentes!

Quando dois amigos e colegas decidiram criar este weblog, num verão de 2007, nunca pensaram o quanto este ia crescer e como se iria manter tão activo ao longo destes anos. Nunca imaginaram o interesse que iria despertar nos jovens, nas famílias e nos professores.

Chegamos a este verão de 2013 com:

  • 100 posts
  • 31 páginas fixas
  • 197 seguidores da página
  • 678 seguidores no facebook
  • Mais de 230.000 visitantes (de todo o mundo, especialmente Portugal e Brasil)
  • 465 comentários às publicações
  • Várias páginas que se ligam ao Psiadolescentes
  • Como site recomendado pelo Ministério da Educação como “material de apoio para abordar os vários domínios da Educação para a Saúde”

 

Isto prova duas coisas:

  • A grande lacuna que existe de informação acerca deste tema tão importante da “Saúde Mental na Adolescência”;
  • O grande interesse de adolescentes, pais, professores e mesmo técnicos de saúde sobre este tema.

 

Estamos contentes com isto. Quando começamos o Psiadolescentes tínhamos dois objectivos:

  • Fazer algo que nos desse “gozo” e ao mesmo tempo que fosse útil para os adolescentes com quem trabalhamos;
  • Criar algo de fácil acesso e que desse informações correctas e não tendenciosas sobre temas da Saúde Mental na adolescência.

 

Achamos que conseguimos! E com a adesão que temos tido, com o vosso apoio e com o estímulo da vossa participação activa, só podemos ter vontade de continuar!!

Um grande obrigado a todos!!

 

Diogo Guerreiro e Diana Cruz

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A sociedade e o adolescente

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A visão da Adolescência pela sociedade é altamente mutável dependendo de inúmeros factores. Ser adolescente não é o mesmo em Portugal, no Japão ou no Uganda. Por outro lado as constantes mudanças sócio-culturais (especialmente aceleradas nos dias de hoje) levam à mudança do conceito de adolescência,  ser adolescente em 2000 não é o mesmo que foi ser adolescente em 1990.

A nossa sociedade tem vindo a apresentar grandes mudanças, a nível tecnológico, no trabalho, na família e claro, nos valores.
Se há 50 anos a noção de ciclo de vida era mais clara, hoje não é assim. A sequência nascer, crescer, estudar (preparar para a vida adulta), iniciar a vida profissional, casar, ter filhos e assim perpetuar o ciclo, está actualmente adulterada.

Por múltiplas razões assiste-se a um prolongamento da adolescência. A preparação para a vida adulta é cada vez mais complexa e exigente, consome mais tempo, o estudo prolonga-se na maioria dos casos bem para lá dos 18 anos. A entrada para a vida profissional e a necessária autonomia financeira, são metas mais dificilmente atingidas, prolongado assim esta transição.

Por outro lado, os papeis menos definidos entre adultos e adolescentes dificultam a criação de uma identidade adulta. Nos dias de hoje os adultos querem ser adolescentes… Os pais não querem ser pais, mas sim amigos, irmãos mais velhos. Por todo o lado vemos campanhas de marketing reforçando esta ideia. A idade adulta é desvalorizada e especialmente os mais velhos, os avós os anciões, não têm papel nesta sociedade virada para os valores da recompensa imediata e do anti-crescimento. Os pais passam a hesitar sobre suas normas, sobre os seus valores morais… têm dificuldade em impor a autoridade e estabelecer os limites nos seus filhos adolescentes. Muitas vezes porque se desejariam sentir de novo adolescentes, outras vezes por uma questão de culpa: “passo tão pouco tempo com ele… vou passar o tempo a chateá-lo?”.

Por outro lado, os pais de hoje têm uma tarefa impossível: a filtração da informação. Através da TV e da Internet, tudo chega aos olhos e cérebro do adolescente.

As famílias tem também vindo a mudar, cada vez menos se vem famílias nucleares ou alargadas, é habitual a separação dos pais, os padrastos, as madrastas, os avós ainda a trabalhar que não podem dar o seu apoio aos netos. Os pais e os cuidadores necessitam de trabalhar até longas horas, os filhos são deixados em ATL’s, em actividades ou mesmo sozinhos em casa.

A adolescência representa um desafio para a sociedade. Como lidar com todas estas mudanças?…

É importante não esquecer que para o processo da adolescência e da autonomização, os adolescentes necessitam de modelos de identificação. O adolescente precisa de percorrer o seu caminho…  mas não sozinho, para experimentar precisa de se sentir seguro, na família e também na escola. O adolescente precisa de descobrir a sua própria identidade e não cair numa identificação colectiva artificialmente criada por meios de comunicação e de publicidade.

Só através de um maior apoio e valorização das famílias e das escolas é possível criar condições para que estes ajudem e estejam presentes nesta longa (e desafiante) caminhada que é a adolescência.

DG 2008