Mudança de visual

Adolescência é mudar, aprender, tentar, arriscar…

A propósito disto: mudámos o visual do psiadolescentes (assim como da página do facebook)!!

Gostam?

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Perturbação Obsessivo-Compulsiva

Um excelente video acerca desta patologia:

Ver também: http://psiadolescentes.com/ansiedade/

Abraços

DG 2013

Exercício Físico e o Cérebro

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Várias investigações sugerem que o exercício físico é uma peça fundamental para prevenir os efeitos do envelhecimento cerebral. Mais recentemente um grupo de investigadores dos EUA estudou quais os seus efeitos no cérebro adolescente.

Observaram que, apesar de o grau de capacidade de memória ser igual no adolescentes “em forma” (>10h de exercício aeróbico por semana) e nos adolescentes “não em forma” (<1h por semana), os cérebros funcionam de forma diferente.

Quando fazemos uma nova memória utilizamos o córtex pré-frontal e o hipocampo e, simultaneamente, desactivamos as outras áreas do cérebro que funcionam “de base”. Ora o que esta investigação observou é que nos adolescentes “em forma” é exactamente isto que acontece, enquanto que nos adolescentes que fazem menos exercício estas áreas de funcionamento “de base” cerebral não reduziram o esperado e que mais recursos do hipocampo eram utilizados para a mesma função.

Traduzindo: O cérebro dos adolescentes “não em forma” consegue adaptar-se de forma a ter o mesmo rendimento que o dos seus colegas “em forma” mas à custa de maior esforço neuronal e utilizando mais recursos. Os investigadores sugerem que o exercício físico na adolescência possa contribuir para que, no futuro, exista mais reserva cognitiva e cerebral à medida que o cérebro envelhece.

Não deixem o vosso cérebro enferrujar cedo demais… Mexam-se!

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Abraços

DG

Fica a referência do artigo: Herting MM, Nagel BJ. Differences in brain activity during a verbal associative memory encoding task in high- and low-fit adolescents. J Cogn Neurosci. 2013 Apr;25(4):595-612

Club Drugs

O termo club drugs refere-se a uma variedade de substâncias de abuso que são cada vez mais frequentemente utilizadas por adolescentes e jovens adultos no contexto de saídas à noite em discotecas, raves e bares. Incluem as seguintes:

  • Metilenodioximetanfetamina (MDMA), também conhecida como Ecstasy, XTC, X, pílula do amor, Eva e Pastilhas.
  • Metanfetamina, também conhecida por Speed e Anfes.
  • Ácido lisérgico dietilamida (LSD), também conhecido como Ácido, Viagem, Flashback, Trips e Flash.
  • Quetamina, também conhecida como Special K, K e Vitamina K.
  • Gamma-hidroxibutirato (GHB), também conhecido como Ecstasy liquido e Liquido X.
  • Flunitrazepam, também conhecido como Roofies ou Rape Drug.

Na sua maioria são utilizadas com objectivo recreativo, estando ligadas a contextos de lazer. Podem levar a problemas graves a nível de saúde física e mental. Existe também a associação entre algumas destas drogas e risco de violação, gravidez indesejada e transmissão de doenças infecciosas como HIV/SIDA.

Deixo-vos o link para um artigo que foi recentemente publicado na Acta Médica Portuguesa, intitulado “CLUB DRUGS:Um Novo Perfil de Abuso de Substâncias em Adolescentes e Jovens Adultos“.

Estejam atentos e informados!

Abraço

DG 2012

PS: Para mais informações sobre estas e outras substâncias de abuso consultem a nossa página sobre Drogas.

Stress… um bicho de 7 cabeças!?

Toda as pessoas por vezes se sentem “stressadas”.

O stress poderá levar a que te sintas preocupado, tenso, triste, irritado, zangado, “sob pressão” – ou mesmo uma mistura destes sentimentos desconfortáveis.

Existem muitas situações normais em uma pessoa pode sentir stress, por exemplo quando o trabalho da escola parece estar a acumular-se ou em alturas de testes. Em situações em que existem problemas na escola como bullying. Quando tens problemas em casa com os pais ou irmãos. Quando te zangas com amigos… etc.

O stress pode ser ainda maior em casos de divórcio dos pais, ou quando alguém próximo de ti está doente ou morreu. Em casos de abuso físico ou sexual o stress ganha dimensões muito grandes.

Alguns efeitos do stress

O stress pode afectar-te fisicamente: o teu corpo está preparado para lidar com situações perigosas, emergências ou mesmo doenças, chama-se a isto o instinto de “fuga ou luta”. Nesta alturas hormonas como a adrenalina e o cortisol actuam para preparar o teu corpo para lidar com estas adversidades. Por exemplo, se por distracção, estiveres a atravessar uma estrada e um carro vier na tua direcção, o teu corpo vai produzir um pico de adrenalina que vai permitir que saltes para longe do perigo – trata-se do “instinto de fuga” e está presente em situações de stress agudo (de curta duração). Por outro lado o teu corpo é menos capaz de suportar situações de stress crónicas, podendo levar a sintomas de fadiga, náuseas, dificuldades de sono, dores de cabeça, etc.

O stress pode também afectar-te mentalmente: em situações de stress pode ser difícil manter a concentração no trabalho, a capacidade de lidar com as adversidades ou frustrações ou mesmo de controlar as tuas emoções é menor.

Pode levar a depressão e se este se mantiver cronicamente pode levar a exaustão extrema.

A compreensão e o suporte de outras pessoas podem facilitar a tarefa de lidar com o stress. Se tens alguém em quem confies para falar fazê-lo pode ajudar. Estar (e sentir-se) sozinho habitualmente piora a situação.

Lidar com o stress

Existem várias coisas que podes fazer para lidar com situações stressantes.

Em casos de situações que ocorrem todos os dias, pode ser util pensares no teu stress como se fosse um puzzle para ser resolvido:

  • Pensa nas situações que te causam stress e como lidas com ela habitualmente.
  • Pensa como poderias reagir de forma diferente perante estas situações, de modo a te sentires mais “no controlo”
  • Imagina como as outras pessoas reagiriam se fizesses as coisas de forma diferente.
  • Faz uma lista das coisas que tornariam a tua vida mais fácil ou com menos stress – escreve isso num pedaço de papel.

Estas pequenas coisas podem ajudar-te a organizar “as peças do puzzle”.

Quando pedir ajuda?

Por vezes o stress pode tornar-se demasiado para uma pessoa. Isto acontece especialmente quando a situação que o cria se prolonga e dura muito tempo, parecendo que os problemas se amontoam. Poderás sentir-te preso, como se não existisse saída ou solução.

Se sentires algum dos seguintes é importante pedir ajuda:

  • O stress é tão grande que afecta a tua saúde física
  • Sentes-te tão desesperado que pensas em abandonar a escola, fugir de casa ou magoar-te a ti mesmo
  • Sentes-te em baixo, triste ou a pensar que a vida não vale a pena
  • Se perdes o apetite ou o sono
  • Se tiveres preocupações, sentimentos ou pensamentos que não consegues confidenciar a ninguém, por sentires que ninguém te compreende ou que são “estranhos”
  • Se o stress te leva a ouvir vozes ou a te comportar de maneira estranha

A quem pedir ajuda?

  • Aos pais, a outro familiar ou a um amigo da família,
  • A um amigo próximo
  • A um professor, ao psicólogo ou enfermeiro da escola
  • A um assistente social
  • A alguém responsável pela tua religião
  • A uma linha de ajuda telefónica (ex: SOS voz amiga)

O teu médico de família também poderá ajudar. Em alguns casos poderão sugerir que deves consultar algum técnico de Saúde Mental, como um psicólogo, psiquiatra ou pedopsiquiatra – profissionais especialmente treinados para trabalhar com jovens.

DG 2011

PS: Adaptado do folheto de informação sobre o stresse do Royal College of Psychiatrists (UK).

A propósito dos mediáticos casos de violência entre adolescentes…

Ultimamente os adolescentes “dos dias de hoje” têm sido vitímas de uma onda de crítica muito “violenta” e mediática. Várias reportagens, crónicas e artigos referem generalizações algo abusivas referindo-se a estes como “pessoas sem valores… violentos… sem educação…”. Nesta sequência os comentadores procuram razões para isso, será um problema da sociedade? Da escola? Das famílias?… Dos políticos? Da globalização?…

Não tenho dúvidas que apenas uma pequena minoria dos adolescentes actuais reflecte aquilo que foi visto nos casos recentes de violência com direito a passagem no “horário nobre” das televisões e comentados nas “primeiras páginas” dos jornais (um grande prémio para estes jovens, na nossa sociedade em que é considerada uma vitória o protagonismo nos meios de comunicação social!).

Felizmente a grande maioria dos adolescentes adapta-se às situações (por vezes até bem difíceis) do seu quotidiano, sem recorrer a métodos como a violência, o consumo de drogas ou outros que tais…

Existe claro uma minoria de jovens que apresentam dificuldades nesta adaptação (tal como existe uma minoria dos adultos) e que por vezes recorrem à violência como forma de lidar com os problemas que têm. Existem também pessoas que terão o famigerado “défice de valores e pouca educação” sem dúvida, tal como uma minoria dos adultos. E também há personalidades caracterizadas por violência e desrespeito pelas regras sociais, as chamadas perturbações de personalidade anti-social, que não são de todo exclusivas da adolescência!

O Homem (a espécie humana, em todas as idades e épocas) é instintivamente violento. Depedendo do seu desenvolvimento, do meio envolvente e das suas experiências, irá controlar mais ou menos bem esse instinto. A adolescência é um período de transformação marcada, em que estes impulsos poderão ser visíveis pois a “estação de controlo cerebral” (cortéx pré-frontal) ainda está em maturação. Uma vez que este controlo interno ainda não existe na totalidade é obviamente importante a ajuda dos adultos quer sejam a família, os professores, os políticos, etc… E ajudar é permiti-los crescer, permitindo que explorem alternativas de acção e resolução dos problemas, mas ao mesmo tempo impor limites!

Deixo aqui uma parte do artigo do Prof. Daniel Sampaio que saiu na revista Pública de 29 de Maio 2011, com o título “Raivas adolescentes”, que apresenta uma reflexão sobre este tema:

A raiva é sempre destruidora se for deixada crescer sem a entendermos. Se a enterrarmos, poderá contribuir para uma depressão. Se a “tratarmos” com álcool ou drogas, procurando que essas substâncias a acalmem, passaremos a ter mais um problema. Se a exteriorizarmos sempre, poderemos transformar-nos em alguém conflituoso e insuportável.

É fundamental conhecer a raiva destes adolescentes agressivos. Muitas vezes viveram com pessoas sem controlo emocional, que veicularam sempre a ideia de que a violência tudo pode resolver. Noutros casos, viveram em famílias “perfeitas”, onde ninguém podia gritar e qualquer manifestação agressiva era associada à loucura: na adolescência, na luta pela autonomia, a raiva finalmente libertada encontra nos mais próximos o alvo preferido. Por vezes, são vinganças face a pais maltratantes na infância (abusadores, por exemplo), que explodem quando o medo físico dos familiares é agora ultrapassado por um corpo juvenil cheio de energia.

Compreender não significa mudar. Feita a história da relação, é crucial intervir. Conhecer a raiva. Compreender que não se fica agressivo para sempre. Perceber que não se pode ficar parado, num ritual de progressiva auto-humilhação. Concluir que intimidar os outros nos pode deixar mais sós.

Abraço

DG 2011

Cannabis e Psicose… outra vez!

Mais uma investigação recente reforça os dados que  ligam a utilização de cannabis ao risco de psicose.

Foi feito um estudo realizado em Melbourne (Austrália) com 625 doentes com o diagnóstico de primeiro surto psicótico (primeira vez que apresentam os sintomas de uma psicose), entre os 14 e os 29 anos, publicado no Schizophrenia Research deste mês, que se focava neste assunto.

Os investigadores verificaram que os doentes que apresentavam abuso ou dependência de cannabis antes dos 14 anos iniciavam a psicose em média 2 anos antes. Estes apresentavam os sintomas psicóticos por volta dos 19 anos, enquanto que as pessoas sem abuso ou dependência de cannabis começavam por volta dos 21 anos.

A conclusão deste estudo é que a utilização de cannabis pode levar a um efeito prejudicial na maturação cerebral (muito importante especialmente numa fase inicial da adolescência!) que leva ao aparecimento de sintomas psicóticos numa idade mais precoce.

A dúvida que fica é: será que se não tivessem consumido cannabis estes jovens poderiam não estar doentes?

DG 2011