Club Drugs

O termo club drugs refere-se a uma variedade de substâncias de abuso que são cada vez mais frequentemente utilizadas por adolescentes e jovens adultos no contexto de saídas à noite em discotecas, raves e bares. Incluem as seguintes:

  • Metilenodioximetanfetamina (MDMA), também conhecida como Ecstasy, XTC, X, pílula do amor, Eva e Pastilhas.
  • Metanfetamina, também conhecida por Speed e Anfes.
  • Ácido lisérgico dietilamida (LSD), também conhecido como Ácido, Viagem, Flashback, Trips e Flash.
  • Quetamina, também conhecida como Special K, K e Vitamina K.
  • Gamma-hidroxibutirato (GHB), também conhecido como Ecstasy liquido e Liquido X.
  • Flunitrazepam, também conhecido como Roofies ou Rape Drug.

Na sua maioria são utilizadas com objectivo recreativo, estando ligadas a contextos de lazer. Podem levar a problemas graves a nível de saúde física e mental. Existe também a associação entre algumas destas drogas e risco de violação, gravidez indesejada e transmissão de doenças infecciosas como HIV/SIDA.

Deixo-vos o link para um artigo que foi recentemente publicado na Acta Médica Portuguesa, intitulado “CLUB DRUGS:Um Novo Perfil de Abuso de Substâncias em Adolescentes e Jovens Adultos“.

Estejam atentos e informados!

Abraço

DG 2012

PS: Para mais informações sobre estas e outras substâncias de abuso consultem a nossa página sobre Drogas.

A família e os adolescentes…

Chamou-me a atenção esta noticia do Público de 25.01.2012:Família tem mais poder que os amigos no bem-estar e auto-estima dos jovens“.

A sensação de bem-estar e auto-estima dos jovens depende mais das relações familiares do que das ligações entre colegas, que só ocupam o lugar da família quando esta se ausenta, segundo um estudo de investigadores portugueses.

Afinal qual é a importância da família e dos amigos na auto-estima dos adolescentes? Para conseguir responder a esta questão, a equipa do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA) inquiriu 900 alunos do 7º, 9º e 11ª ano. No final, percebeu que a família tem mais impacto.

“Há uma convicção, mais ou menos generalizada, de que durante a adolescência o grupo de pares acaba por substituir um pouco a família. Mas o que estes dados acabam por mostrar é que isso não é exactamente assim. No que toca ao sentimento de bem-estar, a família continua a ter um papel mais importante do que o grupo”, contou à agência Lusa o coordenador do estudo, Francisco Peixoto.

O facto de sentirem que a “família os aceita tal como são, que os apoia quando precisam, nomeadamente em termos efetivos, e que simultaneamente lhes dá autonomia para poderem crescer e desenvolver-se, faz com que sintam que são pessoas que têm valor”, sublinhou o professor do ISPA.

Francisco Peixoto sublinha que o facto de a família dar “um contributo maior para a auto-estima que a relação com os colegas” não significa que o grupo de amigos não é importante.

Os amigos são importantes mas, em muitos casos, não conseguem substituir a família: “contrariamente aquilo que se faz passar, de que o grupo acaba por preencher o espaço da família, isso não é completamente verdade. Depende das circunstâncias”, disse o investigador.

“Os pares acabam por ocupar o espaço, quando a família deixa esse espaço vazio. Se a família cuidar dos filhos que tem continuará a ter esse papel importante, de o jovem se sentir bem com ele próprio”, alertou.

Sobre as características “ideais” da família, Francisco Peixoto sublinha que “não há um manual de boas práticas”, lembrando apenas que na base deve estar a “aceitação” dos filhos tal como eles são.

“A questão fundamental é a da aceitação. A ideia de que os pais forçam os filhos a ser aquilo que eles quereriam ter sido, isso não contribui obviamente para uma boa prática familiar, porque o que vai acontecer é que o adolescente é rejeitado pela família, porque a família quereria ter outro que não aquele que está ali à frente”, lembrou.

Um estudo sem dúvida importante, que sublinha muito do que se tem dito aqui no psiadolescentes… A família é fundamental para o desenvolvimento saudável dos adolescentes, nada a substitui. Os amigos, a escola, todos têm os seus papeis, mas é no seio da família que se desenvolvem as competências essenciais e se promove a autonomia.

Um parabéns aos autores do estudo.

Abraço
DG 2012

A propósito da utilização de antidepressivos e risco de suicídio

Apesar de não ser um assunto novo (ver post de 2007, “suicídio e antidepressivos – os factos“), esta temática levanta frequentemente dúvidas, quer nos adolescentes quer nos pais:

“Afinal os antidepressivos podem ou não aumentar o risco de suicídio?”

É uma pergunta perfeitamente válida e com razão de ser, tendo em conta que afinal as entidades reguladoras dos medicamentos a nível internacional fizeram avisos para existir precaução relativamente ao uso deste tipo de fármacos em adolescentes.

Foi publicado na última edição da Acta Médica Portuguesa, um artigo que poderá interessar quer aos profissionais de saúde que se deparam com esta questão, quer aos adolescentes e famílias. Fica aqui o link (Silva M, Sampaio D. Antidepressivos e suicídio nos adolescentes. Acta Med Port. 2011).

Queria só citar algumas das conclusões deste artigo:

  1. Os antidepressivos do tipo inibidor selectivo da recaptação da serotonina (ISRS) poderão em alguns doentes aumentar o risco de comportamento suicidário (diferente de suicídio) no início do tratamento;
  2. O aumento do uso de ISRS tem estado associado à redução das taxas de suicídio;
  3. benefício da utilização de ISRS parece ser muito superior ao risco de ideação ou de tentativas de suicídio em todas as indicações;
  4. É possível que o efeito adverso dos antidepressivos no comportamento suicidário difira entre indivíduos, pelo que é necessária mais investigação para identificar os factores de risco e os mecanismos que podem contribuir para este aumento de risco suicidário;
  5. O tratamento com antidepressivos (ISRS) estará indicado como primeira linha em jovens com depressão major de gravidade moderada a grave, com ou sem psicoterapia, devendo ser assegurada a cuidadosa monitorização do comportamento suicidário.

Parabéns aos autores, obrigado pela tentativa de esclarecimento neste assunto (tão) controverso.

DG 2012

Resultado da sondagem psiadolescentes

Obrigado pelas 370 respostas! Estes resultados dão que pensar

Afinal será uma boa maneira de lidar com o stress isolarmo-nos ou estar com amigos? Parecem contraditórias as escolhas que colheram mais votos…

As menos escolhidas, são as mais preocupantes e as que pior podem fazer no desenvolvimento do adolescentes. Apesar disto 7% referiram que utilizam drogas ou álcool para controlar o stress e 5% que se magoavam como forma de lidar com este sentimento negativo.

E a família?… Ao que aparenta os jovens que responderam a esta sondagem não recorrem muito a esta quando estão em stress.

Dados a reflectir…

Abraço

DG 2011

Stress… um bicho de 7 cabeças!?

Toda as pessoas por vezes se sentem “stressadas”.

O stress poderá levar a que te sintas preocupado, tenso, triste, irritado, zangado, “sob pressão” – ou mesmo uma mistura destes sentimentos desconfortáveis.

Existem muitas situações normais em uma pessoa pode sentir stress, por exemplo quando o trabalho da escola parece estar a acumular-se ou em alturas de testes. Em situações em que existem problemas na escola como bullying. Quando tens problemas em casa com os pais ou irmãos. Quando te zangas com amigos… etc.

O stress pode ser ainda maior em casos de divórcio dos pais, ou quando alguém próximo de ti está doente ou morreu. Em casos de abuso físico ou sexual o stress ganha dimensões muito grandes.

Alguns efeitos do stress

O stress pode afectar-te fisicamente: o teu corpo está preparado para lidar com situações perigosas, emergências ou mesmo doenças, chama-se a isto o instinto de “fuga ou luta”. Nesta alturas hormonas como a adrenalina e o cortisol actuam para preparar o teu corpo para lidar com estas adversidades. Por exemplo, se por distracção, estiveres a atravessar uma estrada e um carro vier na tua direcção, o teu corpo vai produzir um pico de adrenalina que vai permitir que saltes para longe do perigo – trata-se do “instinto de fuga” e está presente em situações de stress agudo (de curta duração). Por outro lado o teu corpo é menos capaz de suportar situações de stress crónicas, podendo levar a sintomas de fadiga, náuseas, dificuldades de sono, dores de cabeça, etc.

O stress pode também afectar-te mentalmente: em situações de stress pode ser difícil manter a concentração no trabalho, a capacidade de lidar com as adversidades ou frustrações ou mesmo de controlar as tuas emoções é menor.

Pode levar a depressão e se este se mantiver cronicamente pode levar a exaustão extrema.

A compreensão e o suporte de outras pessoas podem facilitar a tarefa de lidar com o stress. Se tens alguém em quem confies para falar fazê-lo pode ajudar. Estar (e sentir-se) sozinho habitualmente piora a situação.

Lidar com o stress

Existem várias coisas que podes fazer para lidar com situações stressantes.

Em casos de situações que ocorrem todos os dias, pode ser util pensares no teu stress como se fosse um puzzle para ser resolvido:

  • Pensa nas situações que te causam stress e como lidas com ela habitualmente.
  • Pensa como poderias reagir de forma diferente perante estas situações, de modo a te sentires mais “no controlo”
  • Imagina como as outras pessoas reagiriam se fizesses as coisas de forma diferente.
  • Faz uma lista das coisas que tornariam a tua vida mais fácil ou com menos stress – escreve isso num pedaço de papel.

Estas pequenas coisas podem ajudar-te a organizar “as peças do puzzle”.

Quando pedir ajuda?

Por vezes o stress pode tornar-se demasiado para uma pessoa. Isto acontece especialmente quando a situação que o cria se prolonga e dura muito tempo, parecendo que os problemas se amontoam. Poderás sentir-te preso, como se não existisse saída ou solução.

Se sentires algum dos seguintes é importante pedir ajuda:

  • O stress é tão grande que afecta a tua saúde física
  • Sentes-te tão desesperado que pensas em abandonar a escola, fugir de casa ou magoar-te a ti mesmo
  • Sentes-te em baixo, triste ou a pensar que a vida não vale a pena
  • Se perdes o apetite ou o sono
  • Se tiveres preocupações, sentimentos ou pensamentos que não consegues confidenciar a ninguém, por sentires que ninguém te compreende ou que são “estranhos”
  • Se o stress te leva a ouvir vozes ou a te comportar de maneira estranha

A quem pedir ajuda?

  • Aos pais, a outro familiar ou a um amigo da família,
  • A um amigo próximo
  • A um professor, ao psicólogo ou enfermeiro da escola
  • A um assistente social
  • A alguém responsável pela tua religião
  • A uma linha de ajuda telefónica (ex: SOS voz amiga)

O teu médico de família também poderá ajudar. Em alguns casos poderão sugerir que deves consultar algum técnico de Saúde Mental, como um psicólogo, psiquiatra ou pedopsiquiatra – profissionais especialmente treinados para trabalhar com jovens.

DG 2011

PS: Adaptado do folheto de informação sobre o stresse do Royal College of Psychiatrists (UK).

Boas Férias para todos!

Dicas para os exames do nosso Ministro da Educação

Para todos os jovens que agora vão fazer exames ficam aqui algumas dicas do nosso novo ministro da Educação (Nuno Crato), publicadas no Expresso de 28 de Maio de 2011.

DENTRO DE ALGUMAS semanas, milhares de estudantes do Ensino Básico e Secundário terão exames. Sabemos que as provas nem sempre estão bem feitas, que são menos frequentes do que deviam, que não têm o grau de exigência necessário e que, muitas vezes, os enunciados são enganosos. Mas isso neste momento pouco importa. Para os estudantes, para os pais que os acompanham e para os professores que os apoiam, o que agora interessa é aproveitar estas últimas semanas. Ainda há tempo para muita coisa, desde que se trabalhe. Talvez algumas das ideias seguintes sejam úteis.

Primeira ideia: Programar o estudo. É um dos factos mais surpreendentes da vida: traçar objectivos é meio caminho andado para os atingir. Isso é verdade na escola, na política, no desporto, nas empresas. Pode-se trabalhar muito, pode-se estar o dia todo ocupado e parecer que não se consegue fazer mais nada. Mas quando se perde um pouco de tempo a pensar e organizar a vida, consegue-se fazer mais. Daqui até às provas há ainda algumas semanas; por que não fazer uma lista das matérias prioritárias e planear dominá-las, com objectivos traçados semana a semana e dia a dia? Depois, é controlar o plano de estudo. Basta perder cinco minutos ao fim do dia para verificar o que se fez e não se fez e o que é preciso fazer para recuperar o tempo perdido.
Segunda ideia: Testar o que se sabe. É uma das descobertas mais sólidas da psicologia cognitiva moderna: as avaliações são um auxiliar importantíssimo do estudo; muitas vezes aprende-se mais enquanto se pensa como responder a um teste ou a verificar onde se errou, do que no estudo calmo e descontraído. A resolução de testes e exercícios é fundamental.
Terceira ideia: Voltar atrás quando não se percebe. Andar muito tempo à volta de um exercício ou de um conceito e não o conseguir entender é habitualmente sintoma de que há algo para trás que não se percebe. Não vale a pena fingir que se saltam obstáculos.

Quarta ideia: Perceber e decorar, decorar e perceber. Ao contrário do que recomendam algumas teorias pedagógicas ultrapassadas, a memorização não é inimiga da compreensão. As duas coisas são necessárias e reforçam-se mutuamente. Saber de cor uma fórmula pode ajudar a perceber um conceito e perceber um conceito pode ajudar a decorar uma fórmula útil.

Quinta ideia: Nem sempre o que parece mais fácil é o melhor. Entre ler um romance que se sabe que pode aparecer num exame e estudar um resumo, muitos jovens preferem ler o resumo. Que erro! Ler um romance é mais divertido, aprende-se mais, compreendem-se melhor os personagens e fixam-se melhor os pormenores.

Sexta ideia: Chegados ao exame, por mais difíceis que as questões pareçam, não desanimem. Muitas vezes, precisamos de algum tempo entre ler uma pergunta e ter a ideia da resposta. Leia-se segunda vez, terceira vez, com calma. Afinal a resposta pode ser simples.

Sétima ideia: Por mais simples que as questões sejam, não desanimem. Na Prova Intermédia de Ciências Físico-Químicas do 9.º ano feita este mês pelo Ministério, enunciavam-se um a um os nomes dos planetas do sistema solar e depois perguntava-se «o sistema solar é constituído por quantos planetas?» Muitos jovens podem não ter respondido por pensarem que havia algum truque. Não podia ser verdade! Não faz sentido perguntar a um aluno do 9.º ano se sabe ou não contar até oito! Mas era verdade.

Um abraço e bons estudos!

DG 2011