Stress… um bicho de 7 cabeças!?

Toda as pessoas por vezes se sentem “stressadas”.

O stress poderá levar a que te sintas preocupado, tenso, triste, irritado, zangado, “sob pressão” – ou mesmo uma mistura destes sentimentos desconfortáveis.

Existem muitas situações normais em uma pessoa pode sentir stress, por exemplo quando o trabalho da escola parece estar a acumular-se ou em alturas de testes. Em situações em que existem problemas na escola como bullying. Quando tens problemas em casa com os pais ou irmãos. Quando te zangas com amigos… etc.

O stress pode ser ainda maior em casos de divórcio dos pais, ou quando alguém próximo de ti está doente ou morreu. Em casos de abuso físico ou sexual o stress ganha dimensões muito grandes.

Alguns efeitos do stress

O stress pode afectar-te fisicamente: o teu corpo está preparado para lidar com situações perigosas, emergências ou mesmo doenças, chama-se a isto o instinto de “fuga ou luta”. Nesta alturas hormonas como a adrenalina e o cortisol actuam para preparar o teu corpo para lidar com estas adversidades. Por exemplo, se por distracção, estiveres a atravessar uma estrada e um carro vier na tua direcção, o teu corpo vai produzir um pico de adrenalina que vai permitir que saltes para longe do perigo – trata-se do “instinto de fuga” e está presente em situações de stress agudo (de curta duração). Por outro lado o teu corpo é menos capaz de suportar situações de stress crónicas, podendo levar a sintomas de fadiga, náuseas, dificuldades de sono, dores de cabeça, etc.

O stress pode também afectar-te mentalmente: em situações de stress pode ser difícil manter a concentração no trabalho, a capacidade de lidar com as adversidades ou frustrações ou mesmo de controlar as tuas emoções é menor.

Pode levar a depressão e se este se mantiver cronicamente pode levar a exaustão extrema.

A compreensão e o suporte de outras pessoas podem facilitar a tarefa de lidar com o stress. Se tens alguém em quem confies para falar fazê-lo pode ajudar. Estar (e sentir-se) sozinho habitualmente piora a situação.

Lidar com o stress

Existem várias coisas que podes fazer para lidar com situações stressantes.

Em casos de situações que ocorrem todos os dias, pode ser util pensares no teu stress como se fosse um puzzle para ser resolvido:

  • Pensa nas situações que te causam stress e como lidas com ela habitualmente.
  • Pensa como poderias reagir de forma diferente perante estas situações, de modo a te sentires mais “no controlo”
  • Imagina como as outras pessoas reagiriam se fizesses as coisas de forma diferente.
  • Faz uma lista das coisas que tornariam a tua vida mais fácil ou com menos stress – escreve isso num pedaço de papel.

Estas pequenas coisas podem ajudar-te a organizar “as peças do puzzle”.

Quando pedir ajuda?

Por vezes o stress pode tornar-se demasiado para uma pessoa. Isto acontece especialmente quando a situação que o cria se prolonga e dura muito tempo, parecendo que os problemas se amontoam. Poderás sentir-te preso, como se não existisse saída ou solução.

Se sentires algum dos seguintes é importante pedir ajuda:

  • O stress é tão grande que afecta a tua saúde física
  • Sentes-te tão desesperado que pensas em abandonar a escola, fugir de casa ou magoar-te a ti mesmo
  • Sentes-te em baixo, triste ou a pensar que a vida não vale a pena
  • Se perdes o apetite ou o sono
  • Se tiveres preocupações, sentimentos ou pensamentos que não consegues confidenciar a ninguém, por sentires que ninguém te compreende ou que são “estranhos”
  • Se o stress te leva a ouvir vozes ou a te comportar de maneira estranha

A quem pedir ajuda?

  • Aos pais, a outro familiar ou a um amigo da família,
  • A um amigo próximo
  • A um professor, ao psicólogo ou enfermeiro da escola
  • A um assistente social
  • A alguém responsável pela tua religião
  • A uma linha de ajuda telefónica (ex: SOS voz amiga)

O teu médico de família também poderá ajudar. Em alguns casos poderão sugerir que deves consultar algum técnico de Saúde Mental, como um psicólogo, psiquiatra ou pedopsiquiatra – profissionais especialmente treinados para trabalhar com jovens.

DG 2011

PS: Adaptado do folheto de informação sobre o stresse do Royal College of Psychiatrists (UK).

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Resultados de Estudo em Adolescentes Portugueses

Foram recentemente disponibilizados pela equipa da Aventura Social, da Faculdade de Motricidade Humana, os resultados de um estudo importante sobre comportamentos dos adolescentes Portugueses.

O Health Behaviour in School-aged Children (HBSC) é um estudo colaborativo da Organização Mundial de Saúde que pretende estudar os estilos de vida e comportamentos dos adolescentes nos vários contextos das suas vidas. Integra 44 países, incluindo Portugal, que aderiu em 1996 e é membro associado desde 1998. O primeiro estudo no País decorreu em 1998, seguindo-se os de 2002, 2006 e 2010.

Este estudo revela uma série de dados interessantes e importantes.

Deixamos o link para o pdf que resume os principais resultados: HBSC Adolescentes 2010-11

Este tipo de estudos são fundamentais para que melhor possamos compreender os adolescentes de hoje. Muitos dos parâmetros estudados estão relacionados com a Saúde Mental e por isso no Psiadolescentes não poderíamos deixar de dar os parabéns à Equipa!!

Um abraço

DG 2011

Novo conteúdo: Perturbações de Comportamento

Está disponível um novo conteúdo acerca das Perturbações de Comportamento na adolescência: a Perturbação da Conduta e a Perturbação de Oposição-Desafio.

Tratam-se de dois problemas frequentes e que causam grandes dificuldades não só para os adolescentes que deles sofrem mas também para quem com eles lida.

Relembramos no entanto que estes são diagnósticos psiquiátricos e que para o correcto diagnóstico é fundamental a observação por um técnico especializado.

Sugerimos a leitura e atenção para estas condições patológicas:  https://psiadolescentes.wordpress.com/perturbacoes-comportamento.

Um abraço

DG 2011

Alguns factos sobre álcool na adolescência

Embora o consumo do álcool seja frequente nos jovens, o seu consumo dependente é raro. Quando ele aparece, representa um forte sinal de mal-estar psicológico que carece de um acompanhamento técnico-profissional ajustado.

O comportamento de consumo de bebidas alcoólicas pelos adolescentes é veiculado por um encontro entre a substância álcool, o meio e um elemento pivot – o cérebro em desenvolvimento.

Nas primeiras experiências com bebidas alcoólicas, os estudos apontam para a maior preponderância dos factores sociais e psicológicos, enquanto que para o desenvolvimento de um problema de dependência do álcool, os factores biológicos parecem ter maior relevo.

Para alguns adolescentes, o consumo pode representar a inclusão num grupo de pares, integrado num processo de mimetização de comportamento enquanto agente facilitador dessa integração; noutros casos pode simbolizar um ritual de transição para a adulticia, ou significar um comportamento de rebeldia face a uma realidade discordante, ou conflito de autonomia.

A iniciação do consumo do álcool também e influenciado por condicionante sociais que incluem os efeitos da propaganda de bebidas alcoólicas sobre os jovens, com práticas de marketing bastante agressivas, as quais os jovens tendem a responder de uma forma emocional, podendo modificar o seu sistema de crenças e expectativas em relação ao beber.

Actualmente, a precocidade da idade de início do consumo de bebidas alcoólicas é uma realidade preocupante, evoluindo dos 18 anos no início da década de 70, para uma média actual que ronda os 13/14 anos.

A investigação mostra que o início do consumo de bebidas alcoólicas antes dos 14 anos de idade representa um factor de risco para o desenvolvimento de dependência do álcool na vida adulta.

É importante realçar que o consumo de bebidas alcoólicas na adolescência torna-se muito alarmante quando este aparece associado a alterações comportamentais e psicológicas (perturbações de conduta, impulsividade, défice atenção).

Os estudos revelam que a passagem para um consumo excessivo e potencialmente problemático na adolescência pode ser facilitada por vários factores de risco:

  • Existem factores genéticos que parecem influenciar a resposta do adolescente ao efeito do álcool. Por exemplo, adolescentes com uma baixa resposta ao efeito tóxico do álcool, ou seja, que não apresentam muitas consequências da intoxicação – elevada tolerância (por exemplo, ressaca, incoordenação motora), têm maior risco de desenvolver problemas com ao álcool.
  • Da mesma forma, aqueles adolescentes com uma elevada sensibilidade aos efeitos euforizantes do álcool (por exemplo, desinibição social, sexual) podem igualmente circunscrever um grupo de risco para o desenvolvimento de dependência.
  • Claro que se adicionarmos estes mecanismos neurobiológicos a um contexto social e cultural vigente, que não só é permissivo ao consumo do álcool, mas igualmente à embriaguez, podemos esperar um potencial de abuso do álcool bastante inflacionado.
  • O modelo de suporte social e familiar pode ter também implicações no consumo de álcool do adolescente. O consumo excessivo de álcool poderá tornar-se mais frequente em adolescentes que são “educados” em famílias disfuncionais, com modelos parentais que manifestam uma atitude favorável em relação ao consumo excessivo de álcool dos filhos, ou indiferença face a esse consumo, ou quando existe uma total ausência de comunicação e supervisão

SP 2011

Blog sobre saúde mental na adolescência

Mais um projecto interessante realizado por adolescentes, um blog com o título “o munda da loucura“, foca o tema das doenças mentais na adolescência com o objectivo de reduzir o preconceito e o estigma a elas associado.

Aqui fica o perfil dos autores:

“Nós somos 4 alunos do 12ºano da Escola Secundária Vergílio Ferreira da área de Ciências e Tecnologias. Criámos este blog no âmbito da disciplina de Área de Projecto, disciplina em que estamos a desenvolver um projecto sobre os doentes mentais intitulado Doentes Mentais: Quem são? Como são tratados? Este tema surgiu devido ao desconhecimento que existe à volta das doenças mentais que por sua vez trás consequências nefastas de discriminação para com as pessoas que as sofrem”.

Este tipo de iniciativas merece os parabéns de todos nós, pois a mudança nas atitudes em relação à saúde mental deve envolver os adolescentes e estes devem, tal como em muitas outras coisas, ter um papel activo na defesa dos seus direitos (nomeadamente o de não ser estigmatizados por terem uma doença!).

Abraços psiadolescentes

Sondagem sobre drogas e saúde mental

Temos vindo a fazer uma sondagem aos leitores do psiadolescentes em que perguntamos: “Na tua opinião, qual destes produtos tem mais consequências a nível de saúde mental?“.

Estes foram os resultados dos 289 votos.

A maioria das pessoas achou que as chamadas “drogas duras”, heroína e cocaína, são as mais prejudiciais, deixando para segundo plano o ecstasy, o álcool e a cannabis.

É uma pergunta rasteira, pois todas elas são altamente prejudiciais para o desenvolvimento do cérebro do adolescente e todas estão altamente associadas a elevados riscos para a saúde mental.

Sabemos que as principais drogas utilizadas pelos adolescentes são o cannabis e o álcool, seguidas de substâncias psicoestimulantes (“pastilhas”, ectasy, “speeds”).

Um pequeno resumo das consequências a nível mental destas substâncias:

  • Heroína: para além do risco de dependência muito elevado (mesmo após um único consumo), para além do risco de overdose fatal, para além do risco de doenças infecto-contagiosas, o uso de heroína está associado a depressão, ansiedade, desorganização do comportamento, lentificação do pensamento e perda de controlo sobre os impulsos.
  • Cocaína: para além do risco de dependência muito elevado (mesmo após um único consumo), para além do risco de overdose fatal, para além do risco de doenças infecto-contagiosas, o uso de cocaína pode levar a psicose, ansiedade, depressão e insónia muito grave.
  • Ecstasy: para além do risco de desidratação, pode levar a psicose, perda de controlo do comportamento, está ligada a depressão nos dias seguintes ao consumo e… pode levar a lesões cerebrais irreversíveis, com efeitos a nível da memória, da atenção e do sono.
  • Cannabis: o uso regular afecta a memória e a capacidade de concentração, pode levar a um síndrome de desmotivação (em que uma pessoa está sempre apática e com baixa iniciativa), pode levar a perturbações de ansiedade e psicoses, podendo levar ao inicio de uma esquizofrenia (doença crónica) em pessoas predispostas para esta doença.
  • Álcool: um estudo recente inglês, refere que o álcool é a substância que mais prejuízo traz ao próprio e à sociedade. Quando utilizado na adolescência, altura em que o cérebro ainda se está a desenvolver, pode levar a lesões cerebrais (incluindo a morte de neurónios ou ligações defeituosas), que afectam a memória, a capacidade de pensar de forma abstracta ou de resolver problemas. Leva à dependência, à depressão, a dificuldades no sono e a descontrolo do comportamento.

A mensagem é:

Não existem drogas “menos más”, saibam dizer não e protejam o vosso cérebro!

Abraços
DG 2010

Depressão na Adolescência

Aqui fica um vídeo/ animação (em Inglês) que está muito bem feito, sobre a Depressão na Adolescência.

Para voltar a sublinhar a campanha anti-depressão.
Um abraço
DG 2010