Resultado da sondagem psiadolescentes

Obrigado pelas 370 respostas! Estes resultados dão que pensar

Afinal será uma boa maneira de lidar com o stress isolarmo-nos ou estar com amigos? Parecem contraditórias as escolhas que colheram mais votos…

As menos escolhidas, são as mais preocupantes e as que pior podem fazer no desenvolvimento do adolescentes. Apesar disto 7% referiram que utilizam drogas ou álcool para controlar o stress e 5% que se magoavam como forma de lidar com este sentimento negativo.

E a família?… Ao que aparenta os jovens que responderam a esta sondagem não recorrem muito a esta quando estão em stress.

Dados a reflectir…

Abraço

DG 2011

XIX Encontro da Adolescência

Mais uma vez o NES (Núcleo de Estudos do Suicído) organizou um encontro para se discutirem temas relevantes à Saúde Mental dos Adolescentes.

Os temas são diversos, desde a bipolaridade na adolescência, passando pelas Escolas e Famílias, intervenções na Adolescência, etc.

Vai realizar-se em Lisboa, no Sana Metropolitan Hotel, nos dias 10 e 11 de Novembro.
Fica aqui o link para o programa e inscrições: folheto XIX Encontro da Adolescência

Até lá.

DG 2011

Stress… um bicho de 7 cabeças!?

Toda as pessoas por vezes se sentem “stressadas”.

O stress poderá levar a que te sintas preocupado, tenso, triste, irritado, zangado, “sob pressão” – ou mesmo uma mistura destes sentimentos desconfortáveis.

Existem muitas situações normais em uma pessoa pode sentir stress, por exemplo quando o trabalho da escola parece estar a acumular-se ou em alturas de testes. Em situações em que existem problemas na escola como bullying. Quando tens problemas em casa com os pais ou irmãos. Quando te zangas com amigos… etc.

O stress pode ser ainda maior em casos de divórcio dos pais, ou quando alguém próximo de ti está doente ou morreu. Em casos de abuso físico ou sexual o stress ganha dimensões muito grandes.

Alguns efeitos do stress

O stress pode afectar-te fisicamente: o teu corpo está preparado para lidar com situações perigosas, emergências ou mesmo doenças, chama-se a isto o instinto de “fuga ou luta”. Nesta alturas hormonas como a adrenalina e o cortisol actuam para preparar o teu corpo para lidar com estas adversidades. Por exemplo, se por distracção, estiveres a atravessar uma estrada e um carro vier na tua direcção, o teu corpo vai produzir um pico de adrenalina que vai permitir que saltes para longe do perigo – trata-se do “instinto de fuga” e está presente em situações de stress agudo (de curta duração). Por outro lado o teu corpo é menos capaz de suportar situações de stress crónicas, podendo levar a sintomas de fadiga, náuseas, dificuldades de sono, dores de cabeça, etc.

O stress pode também afectar-te mentalmente: em situações de stress pode ser difícil manter a concentração no trabalho, a capacidade de lidar com as adversidades ou frustrações ou mesmo de controlar as tuas emoções é menor.

Pode levar a depressão e se este se mantiver cronicamente pode levar a exaustão extrema.

A compreensão e o suporte de outras pessoas podem facilitar a tarefa de lidar com o stress. Se tens alguém em quem confies para falar fazê-lo pode ajudar. Estar (e sentir-se) sozinho habitualmente piora a situação.

Lidar com o stress

Existem várias coisas que podes fazer para lidar com situações stressantes.

Em casos de situações que ocorrem todos os dias, pode ser util pensares no teu stress como se fosse um puzzle para ser resolvido:

  • Pensa nas situações que te causam stress e como lidas com ela habitualmente.
  • Pensa como poderias reagir de forma diferente perante estas situações, de modo a te sentires mais “no controlo”
  • Imagina como as outras pessoas reagiriam se fizesses as coisas de forma diferente.
  • Faz uma lista das coisas que tornariam a tua vida mais fácil ou com menos stress – escreve isso num pedaço de papel.

Estas pequenas coisas podem ajudar-te a organizar “as peças do puzzle”.

Quando pedir ajuda?

Por vezes o stress pode tornar-se demasiado para uma pessoa. Isto acontece especialmente quando a situação que o cria se prolonga e dura muito tempo, parecendo que os problemas se amontoam. Poderás sentir-te preso, como se não existisse saída ou solução.

Se sentires algum dos seguintes é importante pedir ajuda:

  • O stress é tão grande que afecta a tua saúde física
  • Sentes-te tão desesperado que pensas em abandonar a escola, fugir de casa ou magoar-te a ti mesmo
  • Sentes-te em baixo, triste ou a pensar que a vida não vale a pena
  • Se perdes o apetite ou o sono
  • Se tiveres preocupações, sentimentos ou pensamentos que não consegues confidenciar a ninguém, por sentires que ninguém te compreende ou que são “estranhos”
  • Se o stress te leva a ouvir vozes ou a te comportar de maneira estranha

A quem pedir ajuda?

  • Aos pais, a outro familiar ou a um amigo da família,
  • A um amigo próximo
  • A um professor, ao psicólogo ou enfermeiro da escola
  • A um assistente social
  • A alguém responsável pela tua religião
  • A uma linha de ajuda telefónica (ex: SOS voz amiga)

O teu médico de família também poderá ajudar. Em alguns casos poderão sugerir que deves consultar algum técnico de Saúde Mental, como um psicólogo, psiquiatra ou pedopsiquiatra – profissionais especialmente treinados para trabalhar com jovens.

DG 2011

PS: Adaptado do folheto de informação sobre o stresse do Royal College of Psychiatrists (UK).

A propósito dos mediáticos casos de violência entre adolescentes…

Ultimamente os adolescentes “dos dias de hoje” têm sido vitímas de uma onda de crítica muito “violenta” e mediática. Várias reportagens, crónicas e artigos referem generalizações algo abusivas referindo-se a estes como “pessoas sem valores… violentos… sem educação…”. Nesta sequência os comentadores procuram razões para isso, será um problema da sociedade? Da escola? Das famílias?… Dos políticos? Da globalização?…

Não tenho dúvidas que apenas uma pequena minoria dos adolescentes actuais reflecte aquilo que foi visto nos casos recentes de violência com direito a passagem no “horário nobre” das televisões e comentados nas “primeiras páginas” dos jornais (um grande prémio para estes jovens, na nossa sociedade em que é considerada uma vitória o protagonismo nos meios de comunicação social!).

Felizmente a grande maioria dos adolescentes adapta-se às situações (por vezes até bem difíceis) do seu quotidiano, sem recorrer a métodos como a violência, o consumo de drogas ou outros que tais…

Existe claro uma minoria de jovens que apresentam dificuldades nesta adaptação (tal como existe uma minoria dos adultos) e que por vezes recorrem à violência como forma de lidar com os problemas que têm. Existem também pessoas que terão o famigerado “défice de valores e pouca educação” sem dúvida, tal como uma minoria dos adultos. E também há personalidades caracterizadas por violência e desrespeito pelas regras sociais, as chamadas perturbações de personalidade anti-social, que não são de todo exclusivas da adolescência!

O Homem (a espécie humana, em todas as idades e épocas) é instintivamente violento. Depedendo do seu desenvolvimento, do meio envolvente e das suas experiências, irá controlar mais ou menos bem esse instinto. A adolescência é um período de transformação marcada, em que estes impulsos poderão ser visíveis pois a “estação de controlo cerebral” (cortéx pré-frontal) ainda está em maturação. Uma vez que este controlo interno ainda não existe na totalidade é obviamente importante a ajuda dos adultos quer sejam a família, os professores, os políticos, etc… E ajudar é permiti-los crescer, permitindo que explorem alternativas de acção e resolução dos problemas, mas ao mesmo tempo impor limites!

Deixo aqui uma parte do artigo do Prof. Daniel Sampaio que saiu na revista Pública de 29 de Maio 2011, com o título “Raivas adolescentes”, que apresenta uma reflexão sobre este tema:

A raiva é sempre destruidora se for deixada crescer sem a entendermos. Se a enterrarmos, poderá contribuir para uma depressão. Se a “tratarmos” com álcool ou drogas, procurando que essas substâncias a acalmem, passaremos a ter mais um problema. Se a exteriorizarmos sempre, poderemos transformar-nos em alguém conflituoso e insuportável.

É fundamental conhecer a raiva destes adolescentes agressivos. Muitas vezes viveram com pessoas sem controlo emocional, que veicularam sempre a ideia de que a violência tudo pode resolver. Noutros casos, viveram em famílias “perfeitas”, onde ninguém podia gritar e qualquer manifestação agressiva era associada à loucura: na adolescência, na luta pela autonomia, a raiva finalmente libertada encontra nos mais próximos o alvo preferido. Por vezes, são vinganças face a pais maltratantes na infância (abusadores, por exemplo), que explodem quando o medo físico dos familiares é agora ultrapassado por um corpo juvenil cheio de energia.

Compreender não significa mudar. Feita a história da relação, é crucial intervir. Conhecer a raiva. Compreender que não se fica agressivo para sempre. Perceber que não se pode ficar parado, num ritual de progressiva auto-humilhação. Concluir que intimidar os outros nos pode deixar mais sós.

Abraço

DG 2011

Estudo sobre sexualidade na Adolescência

Fica aqui a divulgação de mais um projecto da equipa da Aventura Social:

Novo Estudo da equipa Aventura Social!

Habilita-te a ganhar bilhetes para os concertos de Verão e carregamentos para telemóvel!!

Tens entre 13 e 21? Este questionário é para ti.

Dirige-te a uma das lojas participantes do IPJ – todas as situadas nas capitais de distrito, incluindo também a Loja da sede do IPJ, em Lisboa, Av. da Liberdade, 194 – até 30 de Junho, participa no estudo e habilita-te a ganhar:

  • um carregamento de telemóvel e bilhetes para festivais de verão.
  • 10 dos bilhetes são para os Coldplay (6 de Julho, Optimus Alive).

Regulamento do concurso:

Este questionário é uma extensão do estudo Health Behaviour in School-Aged Children/OMS (www.hbsc.org) e procura estudar, mais aprofundadamente, os conhecimentos, as atitudes e os comportamentos relativos à sexualidade nos adolescentes portugueses.

Preencher este questionário vai ajudar a compreender melhor os interesses e necessidades dos jovens entre os 13 e os 21.

Este questionário é feito exclusivamente online e está disponível em todas as Lojas Ponto JA acima referidas do Instituto Português da Juventude, até 30 de Junho.

Caso pretendas algum esclarecimento adicional, por favor, contacta o Projecto Aventura Social, Faculdade de Motricidade Humana, Universidade Técnica de Lisboa (Dra Lúcia Ramiro:lramiro@fmh.utl.pt).

Obrigado por teres colaborado connosco!

Cannabis e Psicose… outra vez!

Mais uma investigação recente reforça os dados que  ligam a utilização de cannabis ao risco de psicose.

Foi feito um estudo realizado em Melbourne (Austrália) com 625 doentes com o diagnóstico de primeiro surto psicótico (primeira vez que apresentam os sintomas de uma psicose), entre os 14 e os 29 anos, publicado no Schizophrenia Research deste mês, que se focava neste assunto.

Os investigadores verificaram que os doentes que apresentavam abuso ou dependência de cannabis antes dos 14 anos iniciavam a psicose em média 2 anos antes. Estes apresentavam os sintomas psicóticos por volta dos 19 anos, enquanto que as pessoas sem abuso ou dependência de cannabis começavam por volta dos 21 anos.

A conclusão deste estudo é que a utilização de cannabis pode levar a um efeito prejudicial na maturação cerebral (muito importante especialmente numa fase inicial da adolescência!) que leva ao aparecimento de sintomas psicóticos numa idade mais precoce.

A dúvida que fica é: será que se não tivessem consumido cannabis estes jovens poderiam não estar doentes?

DG 2011

Um psiquiatra, uma mala e a prevenção do alcoolismo

Uma iniciativa muito interessante e que continua em curso, fica aqui um excerto da reportagem feita pelo Público em Janeiro de 2011.

Uma mala de alumínio. Lá dentro, há testes de alcoolémia, imitações de drogas legais e ilegais, preservativos, jogos, vídeos, seringas. Um conjunto de objectos para usar numa acção pedagógica com o objectivo de prevenir comportamentos de risco. Pesa 15 quilos. Quem a transporta é o médico psiquiatra Luis Patrício, ex-director do Centro das Taipas.

É sexta-feira à noite, faz frio mas mesmo assim dezenas de jovens juntam-se para beber nas ruas de Santos, em Lisboa. Sentados nos degraus de casas, em bancos de madeira à porta dos bares, segurando copos de cerveja, garrafas de vinho envoltas em jornais ou papelão. Alguns têm muito menos de 18 anos. É assim todos os fins de semana. É para lá que Luis Patrício se dirige, acompanhado da psicóloga Leonor Santos com quem costuma trabalhar e de outros psicólogos da associação “Outros Olhares” que também intervêm habitualmente na prevenção de comportamentos de risco junto de jovens.

Dados recentes revelados por Augusto Pinto, da Unidade de Alcoologia de Coimbra do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) indicam que cerca de 80 por cento dos jovens com 15 anos consomem bebidas alcoólicas em Portugal

Patrícia, de 15 anos, com um copo de cerveja na mão, esclarece: “Nestes bares, ninguém se recusa a vender bebidas alcoólicas aos jovens, nem pedem identificação. Só se for no supermercado, mas aí, há sempre um amigo mais velho a quem pedir para ir comprar”.

A mala de alumínio desperta curiosidade quando Luis Patrício se senta junto de quatro jovens que repartem uma garrafa de vinho branco. Apesar da surpresa inicial, depressa se manifestam receptivos ao diálogo. “Qual é o limite de consumo de álcool a partir do qual há risco?” pergunta o médico. “Dois copos? Três?” respondem os jovens, querendo saber: “Isto é para quê? É para entrarmos num estudo?

Luis Patrício tira algumas cartolinas da mala e propõe-lhes que respondam às perguntas lá escritas: “Porquê que bebes?” Resposta: “Para tirar a sede”. “O álcool não tira a sede” explica o médico. “Por exemplo, bebes meio litro de cerveja, urinas mais, desidratas, aumenta a sede.” “Para aquecer”, responde outro. “O álcool não dá calor, retira o calor e não dá energia nem alimenta”.

Assim o médico vai desmistificando muitas das ideias preconcebidas em relação ao consumo de álcool. “Temos de promover uma revolução cultural profunda porque as pessoas continuam a dizer e a pensar que o álcool é bom e os alcoólicos é que não prestam”, diz, sublinhando: “O álcool é uma droga com a qual podemos ter uma relação em determinado tipo de condições e fora das quais não é possível ter uma relação clara”, nota.

Ao deslocar-se aos locais onde os jovens se encontram e convivem, e com recurso aos objectos que guarda no interior da mala, promove a reflexão e dinamiza conceitos de educação para a saúde face a consumos e a comportamentos de risco…

Para este psiquiatra, a droga “não é a substância em si, mas a atitude de a utilizar de uma forma incorrecta, nociva para a saúde”. “Na nossa cultura, o álcool é legal e promovido, é beatificado ou diabolizado e as pessoas não estão informadas sobre a relação que podem ter com ele”, diz o médico. “Pergunte à maioria dos seus amigos qual é a quantidade de álcool que podem consumir sem entrar em patamar de risco para a saúde, pergunte aos profissionais de saúde, e as pessoas não sabem”. E esclarece: “Hoje temos a informação de que um homem não deveria consumir, por dia, mais de duas unidades, dois copos de vinho ou duas imperiais e, por semana, mais de 21 unidades. Uma mulher, não devia consumir semanalmente mais de 14 unidades. Numa ocasião de festa, uma pessoa não devia consumir mais de quatro unidades”…

Quanto aos jovens, já não restam dúvidas: não deviam consumir álcool antes dos 18 anos. Para “esperar que as capacidades do sistema nervoso central atinjam o máximo do seu desenvolvimento antes de ele começar a fazer consumos que possam provocar estragos”, adverte Luis Patrício

Perante a banalização do consumo de álcool entre os jovens portugueses, nos últimos anos, o médico considera que “vale a pena ver onde isso acontece. Em que famílias e em que ambiente”. O que leva estes jovens a procurar e a valorizar mais o que encontram, por exemplo, nas docas, do que o que têm em casa? interroga-se. O mais importante “é o que está por trás do consumo”, salienta E “que educação tiveram os pais para educar os seus filhos?”…

Fica aqui o blog do Dr. Luis Patrício onde poderão ver os resultados desta iniciativa assim como as futuras datas: http://maladaprevencao.blogspot.com.

Fica também a referência à página sobre Álcool do Psiadolescentes!

A totalidade da reportagem encontra-se neste Link: Um psiquiatra, uma mala e a prevenção do alcoolismo entre os jovens – Sociedade – PUBLICO.PT.

Um abraço

DG 2011