Embora o consumo do álcool seja frequente nos jovens, o seu consumo dependente é raro. Quando ele aparece, representa um forte sinal de mal-estar psicológico que carece de um acompanhamento técnico-profissional ajustado.
O comportamento de consumo de bebidas alcoólicas pelos adolescentes é veiculado por um encontro entre a substância álcool, o meio e um elemento pivot – o cérebro em desenvolvimento.
Nas primeiras experiências com bebidas alcoólicas, os estudos apontam para a maior preponderância dos factores sociais e psicológicos, enquanto que para o desenvolvimento de um problema de dependência do álcool, os factores biológicos parecem ter maior relevo.
Para alguns adolescentes, o consumo pode representar a inclusão num grupo de pares, integrado num processo de mimetização de comportamento enquanto agente facilitador dessa integração; noutros casos pode simbolizar um ritual de transição para a adulticia, ou significar um comportamento de rebeldia face a uma realidade discordante, ou conflito de autonomia.
A iniciação do consumo do álcool também e influenciado por condicionante sociais que incluem os efeitos da propaganda de bebidas alcoólicas sobre os jovens, com práticas de marketing bastante agressivas, as quais os jovens tendem a responder de uma forma emocional, podendo modificar o seu sistema de crenças e expectativas em relação ao beber.
Actualmente, a precocidade da idade de início do consumo de bebidas alcoólicas é uma realidade preocupante, evoluindo dos 18 anos no início da década de 70, para uma média actual que ronda os 13/14 anos.
A investigação mostra que o início do consumo de bebidas alcoólicas antes dos 14 anos de idade representa um factor de risco para o desenvolvimento de dependência do álcool na vida adulta.
É importante realçar que o consumo de bebidas alcoólicas na adolescência torna-se muito alarmante quando este aparece associado a alterações comportamentais e psicológicas (perturbações de conduta, impulsividade, défice atenção).
Os estudos revelam que a passagem para um consumo excessivo e potencialmente problemático na adolescência pode ser facilitada por vários factores de risco:
- Existem factores genéticos que parecem influenciar a resposta do adolescente ao efeito do álcool. Por exemplo, adolescentes com uma baixa resposta ao efeito tóxico do álcool, ou seja, que não apresentam muitas consequências da intoxicação – elevada tolerância (por exemplo, ressaca, incoordenação motora), têm maior risco de desenvolver problemas com ao álcool.
- Da mesma forma, aqueles adolescentes com uma elevada sensibilidade aos efeitos euforizantes do álcool (por exemplo, desinibição social, sexual) podem igualmente circunscrever um grupo de risco para o desenvolvimento de dependência.
- Claro que se adicionarmos estes mecanismos neurobiológicos a um contexto social e cultural vigente, que não só é permissivo ao consumo do álcool, mas igualmente à embriaguez, podemos esperar um potencial de abuso do álcool bastante inflacionado.
- O modelo de suporte social e familiar pode ter também implicações no consumo de álcool do adolescente. O consumo excessivo de álcool poderá tornar-se mais frequente em adolescentes que são “educados” em famílias disfuncionais, com modelos parentais que manifestam uma atitude favorável em relação ao consumo excessivo de álcool dos filhos, ou indiferença face a esse consumo, ou quando existe uma total ausência de comunicação e supervisão
SP 2011
Gostar disto:
Gostar A carregar...