Novo conteúdo: Perturbações de Comportamento

Está disponível um novo conteúdo acerca das Perturbações de Comportamento na adolescência: a Perturbação da Conduta e a Perturbação de Oposição-Desafio.

Tratam-se de dois problemas frequentes e que causam grandes dificuldades não só para os adolescentes que deles sofrem mas também para quem com eles lida.

Relembramos no entanto que estes são diagnósticos psiquiátricos e que para o correcto diagnóstico é fundamental a observação por um técnico especializado.

Sugerimos a leitura e atenção para estas condições patológicas:  https://psiadolescentes.wordpress.com/perturbacoes-comportamento.

Um abraço

DG 2011

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Bullying criminalizado?

Seguem-se alguns fragmentos da notícia publicada pelo Público em 29/10/2010:

Um aluno com mais de 16 anos que cometa um acto tipificado como bullying poderá ser condenado a uma pena de prisão até cinco anos. Se dos actos praticados resultar a morte da vítima, a pena “poderá ser agravada entre três e dez anos”, segundo a proposta de criminalização da violência escolar, aprovada ontem na generalidade em Conselho de Ministros (CM). O documento, que vai agora ser discutido entre os parceiros sociais, antes de ser submetido à Assembleia da República, abrange “os maus tratos físicos ou psíquicos, incluindo castigos corporais, privações da liberdade e ofensas sexuais a qualquer membro da comunidade escolar a que também pertença o agressor”. Segundo o Ministério da Educação (ME), as “situações menos graves” serão resolvidas pelos responsáveis escolares – com recurso a instrumentos como o estatuto do aluno que já prevê a possibilidade de suspensão do agressor. Quanto às situações mais graves, as punições poderão compreender penas de prisão “de um a cinco anos”, desde que o agressor seja criminalmente imputável, ou seja, tenha mais de 16 anos. Sempre que se verifique “ofensa grave à integridade física”, a pena de prisão poderá ser agravada “entre dois e oito anos”.

Para além da punição, “pretende-se que a criação do novo crime de violência escolar produza um efeito dissuasor, contribuindo para a manutenção da necessária estabilidade e segurança do ambiente escolar”, lê-se no comunicado do CM. Apesar de concordar que a criminalização poderá ter um efeito dissuasor, o psiquiatra Daniel Sampaio avisa que a criminalização “pura e simples” poderá levar pais e professores a demitirem-se do problema. “É preciso é organizar a escola no combate à violência através de um trabalho partilhado entre alunos, professores e pais”

Quando falamos de comportamentos humanos, especialmente aqueles de elevada complexidade que envolvem escolas, famílias, adolescentes e a sociedade em geral, parece duvidoso que uma lei vá alterar o problema de forma significante.

De facto, sem a actuação conjunta das famílias (educando, dando noções de autoridade e respeito, sabendo impor limites), das escolas (responsabilizando os adolescentes pelos seus actos, tomando um papel de mediadores entre vítimas e agressores), dos adolescentes (que devem aprender estratégias para lidar com a frustração, ser activos no seu papel e responsabilidade na escola e fora desta) e da sociedade em geral (valorizando valores não violentos, favorecendo a comunicação e a compreensão do que são a autoridade e os limites das nossas liberdades), não me parece possível resolver o problema do bullying.

DG 2010

Dia Internacional da Família

Dia 15 de Maio assinala-se o Dia Internacional da Família.

Trata-se de um dia proclamado pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas em 1993, é uma oportunidade para sensibilizar e promover o conhecimento relacionado com as questões sociais, económicas e demográficas que afectam a família.

Aqui no psiadolescentes não podemos deixar de realçar o papel fundamental que as famílias (nos seus vários tipos) têm nos vários aspectos do desenvolvimento do adolescente.

Infelizmente, muitos dos problemas que vemos hoje em dia com os adolescentes, são resultado de dificuldades nos sistemas familiares. Dificuldades de definição de papeis, de comunicação ou mesmo medo de errar…

A culpa não será só das famílias, a própria sociedade está virada para alguma individualidade, forçando muitas vezes os pais, avós e filhos, a estarem de costas voltadas, tentanto demonstrar que são melhores, mais competentes, mais autónomos ou mais eficazes que os outros…

De facto, nada é mais contra o espirito saudável de família, em que a comunicação, o respeito, a clareza dos papeis e a entreajuda são os ingredientes fundamentais para uma “receita” de sucesso!

Bom dia da Família!

DG 2010

PS: Aproveitamos para anunciar a nossa parceria com o Guia Da Família que, apesar de ser um site comercial, é mais uma forma de difundir o tema da Saúde Mental na Adolescência.

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A sociedade e o adolescente

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A visão da Adolescência pela sociedade é altamente mutável dependendo de inúmeros factores. Ser adolescente não é o mesmo em Portugal, no Japão ou no Uganda. Por outro lado as constantes mudanças sócio-culturais (especialmente aceleradas nos dias de hoje) levam à mudança do conceito de adolescência,  ser adolescente em 2000 não é o mesmo que foi ser adolescente em 1990.

A nossa sociedade tem vindo a apresentar grandes mudanças, a nível tecnológico, no trabalho, na família e claro, nos valores.
Se há 50 anos a noção de ciclo de vida era mais clara, hoje não é assim. A sequência nascer, crescer, estudar (preparar para a vida adulta), iniciar a vida profissional, casar, ter filhos e assim perpetuar o ciclo, está actualmente adulterada.

Por múltiplas razões assiste-se a um prolongamento da adolescência. A preparação para a vida adulta é cada vez mais complexa e exigente, consome mais tempo, o estudo prolonga-se na maioria dos casos bem para lá dos 18 anos. A entrada para a vida profissional e a necessária autonomia financeira, são metas mais dificilmente atingidas, prolongado assim esta transição.

Por outro lado, os papeis menos definidos entre adultos e adolescentes dificultam a criação de uma identidade adulta. Nos dias de hoje os adultos querem ser adolescentes… Os pais não querem ser pais, mas sim amigos, irmãos mais velhos. Por todo o lado vemos campanhas de marketing reforçando esta ideia. A idade adulta é desvalorizada e especialmente os mais velhos, os avós os anciões, não têm papel nesta sociedade virada para os valores da recompensa imediata e do anti-crescimento. Os pais passam a hesitar sobre suas normas, sobre os seus valores morais… têm dificuldade em impor a autoridade e estabelecer os limites nos seus filhos adolescentes. Muitas vezes porque se desejariam sentir de novo adolescentes, outras vezes por uma questão de culpa: “passo tão pouco tempo com ele… vou passar o tempo a chateá-lo?”.

Por outro lado, os pais de hoje têm uma tarefa impossível: a filtração da informação. Através da TV e da Internet, tudo chega aos olhos e cérebro do adolescente.

As famílias tem também vindo a mudar, cada vez menos se vem famílias nucleares ou alargadas, é habitual a separação dos pais, os padrastos, as madrastas, os avós ainda a trabalhar que não podem dar o seu apoio aos netos. Os pais e os cuidadores necessitam de trabalhar até longas horas, os filhos são deixados em ATL’s, em actividades ou mesmo sozinhos em casa.

A adolescência representa um desafio para a sociedade. Como lidar com todas estas mudanças?…

É importante não esquecer que para o processo da adolescência e da autonomização, os adolescentes necessitam de modelos de identificação. O adolescente precisa de percorrer o seu caminho…  mas não sozinho, para experimentar precisa de se sentir seguro, na família e também na escola. O adolescente precisa de descobrir a sua própria identidade e não cair numa identificação colectiva artificialmente criada por meios de comunicação e de publicidade.

Só através de um maior apoio e valorização das famílias e das escolas é possível criar condições para que estes ajudem e estejam presentes nesta longa (e desafiante) caminhada que é a adolescência.

DG 2008