Pais e adolescentes problemáticos

problematic adol/fatherUma grande maioria dos adolescentes que vemos nas consultas de Psiquiatria e Psicologia, sobretudo com problemas de comportamentos (faltas às aulas, agressividade, falta de respeito por regras, consumos de drogas e álcool, fugas de casa, comportamentos auto-lesivos, etc.), vêm acompanhados de pais desesperados, preocupados, “no limite”, que de forma quase constante nos dizem: “não sabemos mais o que fazer com ele/a!

Quando escutamos atentamente as famílias compreendemos que o problema vêm de há muito tempo, que se insinuou de forma quase invisível até à altura em que os filhos entram na fase da adolescência. Ausência de padrões consistentes de educação, de negociação de regrascomunicações altamente perturbadas,  dificuldades de adaptação dos pais ao crescimento do seu filho (que deixou de ser uma criança), etc.

Os pais procuram “soluções milagrosas“: “um medicamento para o controlar”; “uma terapia”.

Estes “milagres” não acontecem!

Dar a volta a estes problemas implica que toda a família se envolva, que mude os seus padrões de relacionamento e de comunicação. O adolescente, na maioria das vezes é isto que quer e o “comportamento perturbado” é a forma que arranjou para comunicar isto à família.

Quando o adolescente, a família e os terapeutas compreendem isto e quando se motivam para avançar no sentido da mudança necessária, aí sim o “milagre acontece”!

O Professor Daniel Sampaio escreveu um livro que recomendamos muito nestes casos: “Lavrar o Mar“. Esta obra pode ser um ponto de partida para os pais que se questionam sobre estes assuntos e a sua leitura é algo que recomendamos!!

DG 2013

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Psiadolescentes – o weblog sobre Adolescência e Saúde Mental

Yes!Olá a todos!

Este é o post número 100 do Psiadolescentes!

Quando dois amigos e colegas decidiram criar este weblog, num verão de 2007, nunca pensaram o quanto este ia crescer e como se iria manter tão activo ao longo destes anos. Nunca imaginaram o interesse que iria despertar nos jovens, nas famílias e nos professores.

Chegamos a este verão de 2013 com:

  • 100 posts
  • 31 páginas fixas
  • 197 seguidores da página
  • 678 seguidores no facebook
  • Mais de 230.000 visitantes (de todo o mundo, especialmente Portugal e Brasil)
  • 465 comentários às publicações
  • Várias páginas que se ligam ao Psiadolescentes
  • Como site recomendado pelo Ministério da Educação como “material de apoio para abordar os vários domínios da Educação para a Saúde”

 

Isto prova duas coisas:

  • A grande lacuna que existe de informação acerca deste tema tão importante da “Saúde Mental na Adolescência”;
  • O grande interesse de adolescentes, pais, professores e mesmo técnicos de saúde sobre este tema.

 

Estamos contentes com isto. Quando começamos o Psiadolescentes tínhamos dois objectivos:

  • Fazer algo que nos desse “gozo” e ao mesmo tempo que fosse útil para os adolescentes com quem trabalhamos;
  • Criar algo de fácil acesso e que desse informações correctas e não tendenciosas sobre temas da Saúde Mental na adolescência.

 

Achamos que conseguimos! E com a adesão que temos tido, com o vosso apoio e com o estímulo da vossa participação activa, só podemos ter vontade de continuar!!

Um grande obrigado a todos!!

 

Diogo Guerreiro e Diana Cruz

XX Encontro da Adolescência

Mais uma vez o NES (Núcleo de Estudos do Suicídio) organizou uma nova edição do Encontro da Adolescência.

XX ENCONTRO DA ADOLESCÊNCIA

15 e 16 Novembro 2012

Hotel SANA Metropolitan – Lisboa

Os temas são diversos e interessantes, sendo este encontro um lugar de discussão e formação cada vez mais relevante no panorama nacional da Saúde Mental do Adolescente.

Os temas:

Psicopatologia da personalidade – Conflitos entre pais e filhos – Novas drogas – Psicoterapias – Novos casais novos pais – Sexualidade – Comportamentos suicidários – Psicofarmacologia

O programa pode ser consultado neste link.

Até lá!

DG 2012

A família e os adolescentes…

Chamou-me a atenção esta noticia do Público de 25.01.2012:Família tem mais poder que os amigos no bem-estar e auto-estima dos jovens“.

A sensação de bem-estar e auto-estima dos jovens depende mais das relações familiares do que das ligações entre colegas, que só ocupam o lugar da família quando esta se ausenta, segundo um estudo de investigadores portugueses.

Afinal qual é a importância da família e dos amigos na auto-estima dos adolescentes? Para conseguir responder a esta questão, a equipa do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA) inquiriu 900 alunos do 7º, 9º e 11ª ano. No final, percebeu que a família tem mais impacto.

“Há uma convicção, mais ou menos generalizada, de que durante a adolescência o grupo de pares acaba por substituir um pouco a família. Mas o que estes dados acabam por mostrar é que isso não é exactamente assim. No que toca ao sentimento de bem-estar, a família continua a ter um papel mais importante do que o grupo”, contou à agência Lusa o coordenador do estudo, Francisco Peixoto.

O facto de sentirem que a “família os aceita tal como são, que os apoia quando precisam, nomeadamente em termos efetivos, e que simultaneamente lhes dá autonomia para poderem crescer e desenvolver-se, faz com que sintam que são pessoas que têm valor”, sublinhou o professor do ISPA.

Francisco Peixoto sublinha que o facto de a família dar “um contributo maior para a auto-estima que a relação com os colegas” não significa que o grupo de amigos não é importante.

Os amigos são importantes mas, em muitos casos, não conseguem substituir a família: “contrariamente aquilo que se faz passar, de que o grupo acaba por preencher o espaço da família, isso não é completamente verdade. Depende das circunstâncias”, disse o investigador.

“Os pares acabam por ocupar o espaço, quando a família deixa esse espaço vazio. Se a família cuidar dos filhos que tem continuará a ter esse papel importante, de o jovem se sentir bem com ele próprio”, alertou.

Sobre as características “ideais” da família, Francisco Peixoto sublinha que “não há um manual de boas práticas”, lembrando apenas que na base deve estar a “aceitação” dos filhos tal como eles são.

“A questão fundamental é a da aceitação. A ideia de que os pais forçam os filhos a ser aquilo que eles quereriam ter sido, isso não contribui obviamente para uma boa prática familiar, porque o que vai acontecer é que o adolescente é rejeitado pela família, porque a família quereria ter outro que não aquele que está ali à frente”, lembrou.

Um estudo sem dúvida importante, que sublinha muito do que se tem dito aqui no psiadolescentes… A família é fundamental para o desenvolvimento saudável dos adolescentes, nada a substitui. Os amigos, a escola, todos têm os seus papeis, mas é no seio da família que se desenvolvem as competências essenciais e se promove a autonomia.

Um parabéns aos autores do estudo.

Abraço
DG 2012

XIX Encontro da Adolescência

Mais uma vez o NES (Núcleo de Estudos do Suicído) organizou um encontro para se discutirem temas relevantes à Saúde Mental dos Adolescentes.

Os temas são diversos, desde a bipolaridade na adolescência, passando pelas Escolas e Famílias, intervenções na Adolescência, etc.

Vai realizar-se em Lisboa, no Sana Metropolitan Hotel, nos dias 10 e 11 de Novembro.
Fica aqui o link para o programa e inscrições: folheto XIX Encontro da Adolescência

Até lá.

DG 2011

A propósito dos mediáticos casos de violência entre adolescentes…

Ultimamente os adolescentes “dos dias de hoje” têm sido vitímas de uma onda de crítica muito “violenta” e mediática. Várias reportagens, crónicas e artigos referem generalizações algo abusivas referindo-se a estes como “pessoas sem valores… violentos… sem educação…”. Nesta sequência os comentadores procuram razões para isso, será um problema da sociedade? Da escola? Das famílias?… Dos políticos? Da globalização?…

Não tenho dúvidas que apenas uma pequena minoria dos adolescentes actuais reflecte aquilo que foi visto nos casos recentes de violência com direito a passagem no “horário nobre” das televisões e comentados nas “primeiras páginas” dos jornais (um grande prémio para estes jovens, na nossa sociedade em que é considerada uma vitória o protagonismo nos meios de comunicação social!).

Felizmente a grande maioria dos adolescentes adapta-se às situações (por vezes até bem difíceis) do seu quotidiano, sem recorrer a métodos como a violência, o consumo de drogas ou outros que tais…

Existe claro uma minoria de jovens que apresentam dificuldades nesta adaptação (tal como existe uma minoria dos adultos) e que por vezes recorrem à violência como forma de lidar com os problemas que têm. Existem também pessoas que terão o famigerado “défice de valores e pouca educação” sem dúvida, tal como uma minoria dos adultos. E também há personalidades caracterizadas por violência e desrespeito pelas regras sociais, as chamadas perturbações de personalidade anti-social, que não são de todo exclusivas da adolescência!

O Homem (a espécie humana, em todas as idades e épocas) é instintivamente violento. Depedendo do seu desenvolvimento, do meio envolvente e das suas experiências, irá controlar mais ou menos bem esse instinto. A adolescência é um período de transformação marcada, em que estes impulsos poderão ser visíveis pois a “estação de controlo cerebral” (cortéx pré-frontal) ainda está em maturação. Uma vez que este controlo interno ainda não existe na totalidade é obviamente importante a ajuda dos adultos quer sejam a família, os professores, os políticos, etc… E ajudar é permiti-los crescer, permitindo que explorem alternativas de acção e resolução dos problemas, mas ao mesmo tempo impor limites!

Deixo aqui uma parte do artigo do Prof. Daniel Sampaio que saiu na revista Pública de 29 de Maio 2011, com o título “Raivas adolescentes”, que apresenta uma reflexão sobre este tema:

A raiva é sempre destruidora se for deixada crescer sem a entendermos. Se a enterrarmos, poderá contribuir para uma depressão. Se a “tratarmos” com álcool ou drogas, procurando que essas substâncias a acalmem, passaremos a ter mais um problema. Se a exteriorizarmos sempre, poderemos transformar-nos em alguém conflituoso e insuportável.

É fundamental conhecer a raiva destes adolescentes agressivos. Muitas vezes viveram com pessoas sem controlo emocional, que veicularam sempre a ideia de que a violência tudo pode resolver. Noutros casos, viveram em famílias “perfeitas”, onde ninguém podia gritar e qualquer manifestação agressiva era associada à loucura: na adolescência, na luta pela autonomia, a raiva finalmente libertada encontra nos mais próximos o alvo preferido. Por vezes, são vinganças face a pais maltratantes na infância (abusadores, por exemplo), que explodem quando o medo físico dos familiares é agora ultrapassado por um corpo juvenil cheio de energia.

Compreender não significa mudar. Feita a história da relação, é crucial intervir. Conhecer a raiva. Compreender que não se fica agressivo para sempre. Perceber que não se pode ficar parado, num ritual de progressiva auto-humilhação. Concluir que intimidar os outros nos pode deixar mais sós.

Abraço

DG 2011

15 Maio: Dia da Família