Ai a Ressaca…

O consumo imoderado de bebidas alcoólicas nos jovens, redunda, não raras vezes, num conjunto de efeitos psicológicos e físicos indesejados, a que comummente designamos de “RESSACA DO DIA SEGUINTE”.

A “ressaca” do álcool tem gravidade suficiente para perturbar as responsabilidades e o desempenho das actividades de vida diárias. Os sintomas mais frequentes são:

  • fadiga
  • sede
  • dores de cabeça
  • dores musculares
  • náuseas
  • vómitos
  • perturbação do sono
  • vertigens
  • sensibilidade à luz e som
  • alterações da atenção e da concentração
  • depressão, ansiedade e irritabilidade
  • hiperactividade do sistema nervoso (tremor, sudorese, taquicardia)

MECANISMOS:

  • A acção do álcool conduz à desidratação, ao produzir um aumento do débito urinário (diurese) através da inibição directa da hormona anti-diurética, reduzindo assim a reabsorção renal e aumentando a produção de urina. A perda adicional de fluidos por intermédio de diarreias, vómito e da transpiração (por aumento da temperatura corporal), amplifica o processo de desidratação e desequilíbrio electrolítico, com consequente sintomatologia de fraqueza corporal e sensação de “boca seca”.
  • O álcool interfere no trabalho de metabolização do fígado e inibe a disponibilidade da glicose, a principal fonte de energia do cérebro. Logo podem aparecer a sensação de fadiga e fraqueza geral.
  • O efeito vasodiltador do álcool, em concomitância com as alterações da neurotransmissão consequentes à exposição cerebral do álcool ocupam um lugar central na etiologia das dores de cabeça relacionadas com a “ressaca”.
  • A actuação directa do álcool promove a irritação e inflamação do estômago, estimula a secreção de ácidos gástricos e auxilia a acumulação de ácidos gordos no tecido hepático, o que normalmente culmina em dores abdominais, náuseas e vómitos.
  • Os episódios de “ressaca” possuem também custos de aprendizagem substanciais face à diminuição de produtividade e absentismo escolar. Um estudo verificou que 29% dos estudantes já tinham perdido tempo escolar por se encontrarem a recuperar da “ressaca” do álcool.

Surgem na literatura e na internet algumas medidas preventivas e terapêuticas para lidar com a “ressaca” do álcool. Não existe qualquer evidência que suporte a eficácia de alguma intervenção para o tratamento e prevenção da “ressaca” do álcool. Como é óbvio, o único método eficaz para evitar os sintomas de “ressaca” é a abstinência ou a moderação do álcool.

Um estudo recente mostrou que os jovens se envolvem em toda uma série de comportamentos, muitas vezes “caseiros”, para lidar com os efeitos indesejados da “ressaca” do dia seguinte. Cerca de 75.6% da população adolescente já se envolveu nalgum tipo de actividade para lidar com a “ressaca” do álcool, os comportamentos mais referidos foram: ingestão de líquidos, toma de medicação para a dor de cabeça, ingestão de café e consumo de lacticínios.

Conclusões:

  1. Tendo em conta que o consumo de bebidas alcoólicas é um comportamento frequente e normativo da adolescência, propõe-se a adopção de uma perspectiva realista do fenómeno (mais do que ideológica e utópica), que passa por protelar ao máximo o início do consumo do álcool nos jovens, educando-os acerca dos potenciais malefícios do seu consumo dentro de uma perspectiva alargada de incentivo a um estilo de vida saudável. Os pais desempenham aqui um papel fundamental enquanto responsáveis pelo acompanhamento e educação dos filhos.
  2. Se o jovem decide iniciar o consumo de bebidas alcoólicas (facto que nunca deve ocorrer precocemente) é importante que sinta a abertura dos pais para também o fazer junto destes, pois o consumo de álcool é um comportamento, e enquanto comportamento pode e deve ser ensinado e educado.
  3. É sob a supervisão dos pais que os jovens mais velhos podem aprender a beber de uma forma adequada e com controlo – “consumo de álcool benigno”. Quando a aprendizagem de beber ocorre apenas junto dos pares e sem qualquer supervisão de adultos, é “normal” que se generalize uma forma de aprendizagem de consumo do álcool que passa por uma clivagem entre abstinência total junto dos pais e o abuso junto dos pares.

SP 2011

PS: para mais informações consultar o artigo – Samuel Pombo, Daniel Sampaio: DEPOIS DA EMBRIAGUEZ VEM A RESSACA: Uma Perspectiva Sobre o Consumo de Álcool nos Jovens. Acta Médica Portuguesa 2010.

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Alguns factos sobre álcool na adolescência

Embora o consumo do álcool seja frequente nos jovens, o seu consumo dependente é raro. Quando ele aparece, representa um forte sinal de mal-estar psicológico que carece de um acompanhamento técnico-profissional ajustado.

O comportamento de consumo de bebidas alcoólicas pelos adolescentes é veiculado por um encontro entre a substância álcool, o meio e um elemento pivot – o cérebro em desenvolvimento.

Nas primeiras experiências com bebidas alcoólicas, os estudos apontam para a maior preponderância dos factores sociais e psicológicos, enquanto que para o desenvolvimento de um problema de dependência do álcool, os factores biológicos parecem ter maior relevo.

Para alguns adolescentes, o consumo pode representar a inclusão num grupo de pares, integrado num processo de mimetização de comportamento enquanto agente facilitador dessa integração; noutros casos pode simbolizar um ritual de transição para a adulticia, ou significar um comportamento de rebeldia face a uma realidade discordante, ou conflito de autonomia.

A iniciação do consumo do álcool também e influenciado por condicionante sociais que incluem os efeitos da propaganda de bebidas alcoólicas sobre os jovens, com práticas de marketing bastante agressivas, as quais os jovens tendem a responder de uma forma emocional, podendo modificar o seu sistema de crenças e expectativas em relação ao beber.

Actualmente, a precocidade da idade de início do consumo de bebidas alcoólicas é uma realidade preocupante, evoluindo dos 18 anos no início da década de 70, para uma média actual que ronda os 13/14 anos.

A investigação mostra que o início do consumo de bebidas alcoólicas antes dos 14 anos de idade representa um factor de risco para o desenvolvimento de dependência do álcool na vida adulta.

É importante realçar que o consumo de bebidas alcoólicas na adolescência torna-se muito alarmante quando este aparece associado a alterações comportamentais e psicológicas (perturbações de conduta, impulsividade, défice atenção).

Os estudos revelam que a passagem para um consumo excessivo e potencialmente problemático na adolescência pode ser facilitada por vários factores de risco:

  • Existem factores genéticos que parecem influenciar a resposta do adolescente ao efeito do álcool. Por exemplo, adolescentes com uma baixa resposta ao efeito tóxico do álcool, ou seja, que não apresentam muitas consequências da intoxicação – elevada tolerância (por exemplo, ressaca, incoordenação motora), têm maior risco de desenvolver problemas com ao álcool.
  • Da mesma forma, aqueles adolescentes com uma elevada sensibilidade aos efeitos euforizantes do álcool (por exemplo, desinibição social, sexual) podem igualmente circunscrever um grupo de risco para o desenvolvimento de dependência.
  • Claro que se adicionarmos estes mecanismos neurobiológicos a um contexto social e cultural vigente, que não só é permissivo ao consumo do álcool, mas igualmente à embriaguez, podemos esperar um potencial de abuso do álcool bastante inflacionado.
  • O modelo de suporte social e familiar pode ter também implicações no consumo de álcool do adolescente. O consumo excessivo de álcool poderá tornar-se mais frequente em adolescentes que são “educados” em famílias disfuncionais, com modelos parentais que manifestam uma atitude favorável em relação ao consumo excessivo de álcool dos filhos, ou indiferença face a esse consumo, ou quando existe uma total ausência de comunicação e supervisão

SP 2011

Conteúdos sobre Drogas (finalmente) disponíveis!!

Caros seguidores do Psiadolescentes,

É com grande prazer nosso que anunciamos que (finalmente) os conteúdos acerca de Drogas estão disponíveis!

Obviamente que se trata de uma área fundamental para compreender a Saúde Mental dos Adolescentes. Com os conteúdos acerca de Opiáceos (heroína e outros), Estimulantes (anfetaminas e cocaína), MDMA (Ecstasy), Cannabis, Alucinogénicos e Solventes, esperamos estar a informar os adolescentes acerca dos riscos que correm, assim como quais os mecanismos envolvidos!

Com este marco conseguimos, quase passados 3 anos, terminar as páginas principais do site! Todos os conteúdos âncora estão agora realizados, mas sujeitos a actualização constante!

Um abraço a todos!

DG 2010

Sondagem sobre drogas e saúde mental

Temos vindo a fazer uma sondagem aos leitores do psiadolescentes em que perguntamos: “Na tua opinião, qual destes produtos tem mais consequências a nível de saúde mental?“.

Estes foram os resultados dos 289 votos.

A maioria das pessoas achou que as chamadas “drogas duras”, heroína e cocaína, são as mais prejudiciais, deixando para segundo plano o ecstasy, o álcool e a cannabis.

É uma pergunta rasteira, pois todas elas são altamente prejudiciais para o desenvolvimento do cérebro do adolescente e todas estão altamente associadas a elevados riscos para a saúde mental.

Sabemos que as principais drogas utilizadas pelos adolescentes são o cannabis e o álcool, seguidas de substâncias psicoestimulantes (“pastilhas”, ectasy, “speeds”).

Um pequeno resumo das consequências a nível mental destas substâncias:

  • Heroína: para além do risco de dependência muito elevado (mesmo após um único consumo), para além do risco de overdose fatal, para além do risco de doenças infecto-contagiosas, o uso de heroína está associado a depressão, ansiedade, desorganização do comportamento, lentificação do pensamento e perda de controlo sobre os impulsos.
  • Cocaína: para além do risco de dependência muito elevado (mesmo após um único consumo), para além do risco de overdose fatal, para além do risco de doenças infecto-contagiosas, o uso de cocaína pode levar a psicose, ansiedade, depressão e insónia muito grave.
  • Ecstasy: para além do risco de desidratação, pode levar a psicose, perda de controlo do comportamento, está ligada a depressão nos dias seguintes ao consumo e… pode levar a lesões cerebrais irreversíveis, com efeitos a nível da memória, da atenção e do sono.
  • Cannabis: o uso regular afecta a memória e a capacidade de concentração, pode levar a um síndrome de desmotivação (em que uma pessoa está sempre apática e com baixa iniciativa), pode levar a perturbações de ansiedade e psicoses, podendo levar ao inicio de uma esquizofrenia (doença crónica) em pessoas predispostas para esta doença.
  • Álcool: um estudo recente inglês, refere que o álcool é a substância que mais prejuízo traz ao próprio e à sociedade. Quando utilizado na adolescência, altura em que o cérebro ainda se está a desenvolver, pode levar a lesões cerebrais (incluindo a morte de neurónios ou ligações defeituosas), que afectam a memória, a capacidade de pensar de forma abstracta ou de resolver problemas. Leva à dependência, à depressão, a dificuldades no sono e a descontrolo do comportamento.

A mensagem é:

Não existem drogas “menos más”, saibam dizer não e protejam o vosso cérebro!

Abraços
DG 2010

Abuso da Internet e Depressão

Um estudo com 1600 adolescentes, realizado na China, verificou que a utilização “patológica” da Internet em Adolescentes está ligada ao risco de Depressão.

Foi utilizado um teste para medir a “adição” à internet, este pode ser feito por vocês neste site: www.netaddiction.com.

Algumas perguntas que podem levantar a suspeita de utilização “patológica da internet” são as seguintes:

Ficas mais tempo na net do que aquele pretendias?

As pessoas queixam-se de que passas tempo a mais na net?

O tempo que passas na internet leva-te a negligenciar os deveres escolares ou trabalhos?

Quando não estás online, passas muito tempo a pensar quando voltas à internet?

Estes autores verificaram que adolescentes que utilizam excessivamente (patologicamente) a internet, especialmente para jogos online (RPG e outros), apresentaram quase o dobro do risco de ter depressão!

Os autores dão algumas hipóteses para explicar  este fenómeno, poderá ter a ver com a diminuição do tempo para dormir (que é muito comum em adolescentes que utilizam patologicamente a internet) ou poderá ter a ver com a redução de contactos sociais causada por tempo excessivo passado online. No entanto, ainda é preciso fazer mais estudos para comprovar estas hipóteses.

DG 2010