XIX Encontro da Adolescência

Mais uma vez o NES (Núcleo de Estudos do Suicído) organizou um encontro para se discutirem temas relevantes à Saúde Mental dos Adolescentes.

Os temas são diversos, desde a bipolaridade na adolescência, passando pelas Escolas e Famílias, intervenções na Adolescência, etc.

Vai realizar-se em Lisboa, no Sana Metropolitan Hotel, nos dias 10 e 11 de Novembro.
Fica aqui o link para o programa e inscrições: folheto XIX Encontro da Adolescência

Até lá.

DG 2011

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A propósito dos mediáticos casos de violência entre adolescentes…

Ultimamente os adolescentes “dos dias de hoje” têm sido vitímas de uma onda de crítica muito “violenta” e mediática. Várias reportagens, crónicas e artigos referem generalizações algo abusivas referindo-se a estes como “pessoas sem valores… violentos… sem educação…”. Nesta sequência os comentadores procuram razões para isso, será um problema da sociedade? Da escola? Das famílias?… Dos políticos? Da globalização?…

Não tenho dúvidas que apenas uma pequena minoria dos adolescentes actuais reflecte aquilo que foi visto nos casos recentes de violência com direito a passagem no “horário nobre” das televisões e comentados nas “primeiras páginas” dos jornais (um grande prémio para estes jovens, na nossa sociedade em que é considerada uma vitória o protagonismo nos meios de comunicação social!).

Felizmente a grande maioria dos adolescentes adapta-se às situações (por vezes até bem difíceis) do seu quotidiano, sem recorrer a métodos como a violência, o consumo de drogas ou outros que tais…

Existe claro uma minoria de jovens que apresentam dificuldades nesta adaptação (tal como existe uma minoria dos adultos) e que por vezes recorrem à violência como forma de lidar com os problemas que têm. Existem também pessoas que terão o famigerado “défice de valores e pouca educação” sem dúvida, tal como uma minoria dos adultos. E também há personalidades caracterizadas por violência e desrespeito pelas regras sociais, as chamadas perturbações de personalidade anti-social, que não são de todo exclusivas da adolescência!

O Homem (a espécie humana, em todas as idades e épocas) é instintivamente violento. Depedendo do seu desenvolvimento, do meio envolvente e das suas experiências, irá controlar mais ou menos bem esse instinto. A adolescência é um período de transformação marcada, em que estes impulsos poderão ser visíveis pois a “estação de controlo cerebral” (cortéx pré-frontal) ainda está em maturação. Uma vez que este controlo interno ainda não existe na totalidade é obviamente importante a ajuda dos adultos quer sejam a família, os professores, os políticos, etc… E ajudar é permiti-los crescer, permitindo que explorem alternativas de acção e resolução dos problemas, mas ao mesmo tempo impor limites!

Deixo aqui uma parte do artigo do Prof. Daniel Sampaio que saiu na revista Pública de 29 de Maio 2011, com o título “Raivas adolescentes”, que apresenta uma reflexão sobre este tema:

A raiva é sempre destruidora se for deixada crescer sem a entendermos. Se a enterrarmos, poderá contribuir para uma depressão. Se a “tratarmos” com álcool ou drogas, procurando que essas substâncias a acalmem, passaremos a ter mais um problema. Se a exteriorizarmos sempre, poderemos transformar-nos em alguém conflituoso e insuportável.

É fundamental conhecer a raiva destes adolescentes agressivos. Muitas vezes viveram com pessoas sem controlo emocional, que veicularam sempre a ideia de que a violência tudo pode resolver. Noutros casos, viveram em famílias “perfeitas”, onde ninguém podia gritar e qualquer manifestação agressiva era associada à loucura: na adolescência, na luta pela autonomia, a raiva finalmente libertada encontra nos mais próximos o alvo preferido. Por vezes, são vinganças face a pais maltratantes na infância (abusadores, por exemplo), que explodem quando o medo físico dos familiares é agora ultrapassado por um corpo juvenil cheio de energia.

Compreender não significa mudar. Feita a história da relação, é crucial intervir. Conhecer a raiva. Compreender que não se fica agressivo para sempre. Perceber que não se pode ficar parado, num ritual de progressiva auto-humilhação. Concluir que intimidar os outros nos pode deixar mais sós.

Abraço

DG 2011

Resultados de Estudo em Adolescentes Portugueses

Foram recentemente disponibilizados pela equipa da Aventura Social, da Faculdade de Motricidade Humana, os resultados de um estudo importante sobre comportamentos dos adolescentes Portugueses.

O Health Behaviour in School-aged Children (HBSC) é um estudo colaborativo da Organização Mundial de Saúde que pretende estudar os estilos de vida e comportamentos dos adolescentes nos vários contextos das suas vidas. Integra 44 países, incluindo Portugal, que aderiu em 1996 e é membro associado desde 1998. O primeiro estudo no País decorreu em 1998, seguindo-se os de 2002, 2006 e 2010.

Este estudo revela uma série de dados interessantes e importantes.

Deixamos o link para o pdf que resume os principais resultados: HBSC Adolescentes 2010-11

Este tipo de estudos são fundamentais para que melhor possamos compreender os adolescentes de hoje. Muitos dos parâmetros estudados estão relacionados com a Saúde Mental e por isso no Psiadolescentes não poderíamos deixar de dar os parabéns à Equipa!!

Um abraço

DG 2011

Bullying criminalizado?

Seguem-se alguns fragmentos da notícia publicada pelo Público em 29/10/2010:

Um aluno com mais de 16 anos que cometa um acto tipificado como bullying poderá ser condenado a uma pena de prisão até cinco anos. Se dos actos praticados resultar a morte da vítima, a pena “poderá ser agravada entre três e dez anos”, segundo a proposta de criminalização da violência escolar, aprovada ontem na generalidade em Conselho de Ministros (CM). O documento, que vai agora ser discutido entre os parceiros sociais, antes de ser submetido à Assembleia da República, abrange “os maus tratos físicos ou psíquicos, incluindo castigos corporais, privações da liberdade e ofensas sexuais a qualquer membro da comunidade escolar a que também pertença o agressor”. Segundo o Ministério da Educação (ME), as “situações menos graves” serão resolvidas pelos responsáveis escolares – com recurso a instrumentos como o estatuto do aluno que já prevê a possibilidade de suspensão do agressor. Quanto às situações mais graves, as punições poderão compreender penas de prisão “de um a cinco anos”, desde que o agressor seja criminalmente imputável, ou seja, tenha mais de 16 anos. Sempre que se verifique “ofensa grave à integridade física”, a pena de prisão poderá ser agravada “entre dois e oito anos”.

Para além da punição, “pretende-se que a criação do novo crime de violência escolar produza um efeito dissuasor, contribuindo para a manutenção da necessária estabilidade e segurança do ambiente escolar”, lê-se no comunicado do CM. Apesar de concordar que a criminalização poderá ter um efeito dissuasor, o psiquiatra Daniel Sampaio avisa que a criminalização “pura e simples” poderá levar pais e professores a demitirem-se do problema. “É preciso é organizar a escola no combate à violência através de um trabalho partilhado entre alunos, professores e pais”

Quando falamos de comportamentos humanos, especialmente aqueles de elevada complexidade que envolvem escolas, famílias, adolescentes e a sociedade em geral, parece duvidoso que uma lei vá alterar o problema de forma significante.

De facto, sem a actuação conjunta das famílias (educando, dando noções de autoridade e respeito, sabendo impor limites), das escolas (responsabilizando os adolescentes pelos seus actos, tomando um papel de mediadores entre vítimas e agressores), dos adolescentes (que devem aprender estratégias para lidar com a frustração, ser activos no seu papel e responsabilidade na escola e fora desta) e da sociedade em geral (valorizando valores não violentos, favorecendo a comunicação e a compreensão do que são a autoridade e os limites das nossas liberdades), não me parece possível resolver o problema do bullying.

DG 2010

Bullying

Apesar de não existirem números precisos, pensa-se que este fenómeno atinge uma elevada proporção de jovens em idade escolar.

Uma iniciativa do Agrupamento de Escolas de Valdevez, fez um excelente trabalho de sensibilização acerca desta matéria. Criou um site muito informativo intitulado www.bullyingescola.com, do qual deixo algumas passagens.

O termo “Bullying” compreende todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente, adoptadas por um ou mais indivíduos contra outro(s), causando dôr e angústia, e executadas dentro de uma relação desigual de poder. Portanto, os actos repetidos entre elementos da mesma comunidade(colegas) e o desequilibro de poder são as características essenciais, que tornam possível a intimidação da vítima. Em princípio, pode parecer uma simples brincadeira mas não deve ser visto desta forma. A agressão moral, verbal e até corporal sofrida pelos alunos, provocando sofrimento na vítima da “brincadeira”, esta pode entrar em depressão.

Os agressores são indivíduos que têm pouca empatia. Frequentemente, pertencem a famílias desestruturadas, nas quais não há relacionamentos afectivos entre os seus membros. Os pais exercem uma supervisão fraca sobre os seus filhos, toleram e oferecem modelos errados para solucionar conflitos ou comportamentos agressivos. Admite-se que os que praticam o “bullying“ têm grande probalidade de se tornarem adultos com comportamentos anti-sociais e/ou violentos, podendo mesmo a tornarem-se criminosos. Os autores do “bullying“ são os alunos que só praticam “bullying“, são os agressores.

O bullying tem motivado pesquisadores, educadores de todas as áreas a estudar as causas que motivam a banalização humana e a perda colectiva de alguns valores sociais e do significado da palavra respeito no relacionamento entre colegas. Palavra inglesa para definir a forma intencional de maltratar uma outra pessoa.

Principais tipos de Bullying

  • Físico (bater, pontapear, beliscar, ferir, empurrar, agredir)
  • Verbal (apelidos, gozar, insultar)
  • Moral (difamar, caluniar, discriminar, tiranizar)
  • Sexual (abusar, assediar, insinuar, violar sexualmente)
  • Psicológico (intimidar, ameaçar, perseguir, ignorar, aterrorizar, excluir, humilhar)
  • Material (roubar, destruir pertences materiais e pessoais)
  • Virtual (insultar, discriminar, difamar, humilhar, ofender por meio da Internet e telemóveis)

Como agir com uma vítima de Bullying?

  • Saiba que ele(a) está a precisar de ajuda
  • Não tente ignorar a situação
  • Procure manter a calma
  • Mostre que a violençia deve ser evitada
  • Não o agrida ,nem o intimide
  • Mostre que sabe o que está a acontecer Converse com ele
  • Garanta a ele que o quer ajudar
  • Tente indentificar algum problema actual
  • Com o consentimento dele tente entrar em contacto com a Escola
  • Procurar auxiliá-lo a encontrar meios não agressivos
  • Encoraje-o a pedir desculpa ao colega que agrediu
  • Tente descobrir alguma coisa positiva em que ele se possa sair bem para elevar a sua auto-estima

Existe uma linha de telefónica para apoio às vitimas deste fenómeno: 808968888.

Deixo também o panfleto realizado por este projecto.

Trata-se de uma situação complexa, com elevado sofrimento (muitas vezes silencioso), que pode levar a graves consequências para os jovens que dela são vitimas. Cabe a todos lutar contra isto, por isso damos os parabéns à iniciativa destes alunos e professores e convidamos todos a visitar o site.

DG 2010

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