A propósito da utilização de antidepressivos e risco de suicídio

Apesar de não ser um assunto novo (ver post de 2007, “suicídio e antidepressivos – os factos“), esta temática levanta frequentemente dúvidas, quer nos adolescentes quer nos pais:

“Afinal os antidepressivos podem ou não aumentar o risco de suicídio?”

É uma pergunta perfeitamente válida e com razão de ser, tendo em conta que afinal as entidades reguladoras dos medicamentos a nível internacional fizeram avisos para existir precaução relativamente ao uso deste tipo de fármacos em adolescentes.

Foi publicado na última edição da Acta Médica Portuguesa, um artigo que poderá interessar quer aos profissionais de saúde que se deparam com esta questão, quer aos adolescentes e famílias. Fica aqui o link (Silva M, Sampaio D. Antidepressivos e suicídio nos adolescentes. Acta Med Port. 2011).

Queria só citar algumas das conclusões deste artigo:

  1. Os antidepressivos do tipo inibidor selectivo da recaptação da serotonina (ISRS) poderão em alguns doentes aumentar o risco de comportamento suicidário (diferente de suicídio) no início do tratamento;
  2. O aumento do uso de ISRS tem estado associado à redução das taxas de suicídio;
  3. benefício da utilização de ISRS parece ser muito superior ao risco de ideação ou de tentativas de suicídio em todas as indicações;
  4. É possível que o efeito adverso dos antidepressivos no comportamento suicidário difira entre indivíduos, pelo que é necessária mais investigação para identificar os factores de risco e os mecanismos que podem contribuir para este aumento de risco suicidário;
  5. O tratamento com antidepressivos (ISRS) estará indicado como primeira linha em jovens com depressão major de gravidade moderada a grave, com ou sem psicoterapia, devendo ser assegurada a cuidadosa monitorização do comportamento suicidário.

Parabéns aos autores, obrigado pela tentativa de esclarecimento neste assunto (tão) controverso.

DG 2012

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Depressão na Adolescência

Este tema foi abordado no dia 19 de Março, na Escola Secundária D. Pedro V, em Lisboa.

Esta discussão está inserida no ciclo de temas de saúde do Projecto de Educação para a Saúde, ao qual damos os parabéns.

Aqui ficam os slides dessa apresentação dirigida aos estudantes.

Depressão na adolescência (3mb)

Abraço

DG 2009

Suicídio e antidepressivos – os factos

O suicídio é a terceira causa de morte em jovens, as taxas de suicídio variam entre 2 a 44 por 100.000 indivíduos.

Hoje em dia reconhece-se que muitas perturbações mentais vistas nos adultos se iniciam na infância, e que a prevalência de problemas como a depressão e os comportamentos suicidários aumenta marcadamente na adolescência. Embora a morte por suicídio no sexo masculino seja quatro vezes superior à do sexo feminino, as tentativas de suicídio são mais comuns no sexo feminino

Mais de 90% dos suicídios ocorrem no contexto de doença psiquiátrica, sendo que a depressão se afigura, de longe, como a mais significativa.

Vários estudos têm demonstrado a eficácia do tratamento com antidepressivos na prevenção do suicídio. Vamos exemplificar alguns:

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