Pais e adolescentes problemáticos

problematic adol/fatherUma grande maioria dos adolescentes que vemos nas consultas de Psiquiatria e Psicologia, sobretudo com problemas de comportamentos (faltas às aulas, agressividade, falta de respeito por regras, consumos de drogas e álcool, fugas de casa, comportamentos auto-lesivos, etc.), vêm acompanhados de pais desesperados, preocupados, “no limite”, que de forma quase constante nos dizem: “não sabemos mais o que fazer com ele/a!

Quando escutamos atentamente as famílias compreendemos que o problema vêm de há muito tempo, que se insinuou de forma quase invisível até à altura em que os filhos entram na fase da adolescência. Ausência de padrões consistentes de educação, de negociação de regrascomunicações altamente perturbadas,  dificuldades de adaptação dos pais ao crescimento do seu filho (que deixou de ser uma criança), etc.

Os pais procuram “soluções milagrosas“: “um medicamento para o controlar”; “uma terapia”.

Estes “milagres” não acontecem!

Dar a volta a estes problemas implica que toda a família se envolva, que mude os seus padrões de relacionamento e de comunicação. O adolescente, na maioria das vezes é isto que quer e o “comportamento perturbado” é a forma que arranjou para comunicar isto à família.

Quando o adolescente, a família e os terapeutas compreendem isto e quando se motivam para avançar no sentido da mudança necessária, aí sim o “milagre acontece”!

O Professor Daniel Sampaio escreveu um livro que recomendamos muito nestes casos: “Lavrar o Mar“. Esta obra pode ser um ponto de partida para os pais que se questionam sobre estes assuntos e a sua leitura é algo que recomendamos!!

DG 2013

Anúncios

Um psiquiatra, uma mala e a prevenção do alcoolismo

Uma iniciativa muito interessante e que continua em curso, fica aqui um excerto da reportagem feita pelo Público em Janeiro de 2011.

Uma mala de alumínio. Lá dentro, há testes de alcoolémia, imitações de drogas legais e ilegais, preservativos, jogos, vídeos, seringas. Um conjunto de objectos para usar numa acção pedagógica com o objectivo de prevenir comportamentos de risco. Pesa 15 quilos. Quem a transporta é o médico psiquiatra Luis Patrício, ex-director do Centro das Taipas.

É sexta-feira à noite, faz frio mas mesmo assim dezenas de jovens juntam-se para beber nas ruas de Santos, em Lisboa. Sentados nos degraus de casas, em bancos de madeira à porta dos bares, segurando copos de cerveja, garrafas de vinho envoltas em jornais ou papelão. Alguns têm muito menos de 18 anos. É assim todos os fins de semana. É para lá que Luis Patrício se dirige, acompanhado da psicóloga Leonor Santos com quem costuma trabalhar e de outros psicólogos da associação “Outros Olhares” que também intervêm habitualmente na prevenção de comportamentos de risco junto de jovens.

Dados recentes revelados por Augusto Pinto, da Unidade de Alcoologia de Coimbra do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) indicam que cerca de 80 por cento dos jovens com 15 anos consomem bebidas alcoólicas em Portugal

Patrícia, de 15 anos, com um copo de cerveja na mão, esclarece: “Nestes bares, ninguém se recusa a vender bebidas alcoólicas aos jovens, nem pedem identificação. Só se for no supermercado, mas aí, há sempre um amigo mais velho a quem pedir para ir comprar”.

A mala de alumínio desperta curiosidade quando Luis Patrício se senta junto de quatro jovens que repartem uma garrafa de vinho branco. Apesar da surpresa inicial, depressa se manifestam receptivos ao diálogo. “Qual é o limite de consumo de álcool a partir do qual há risco?” pergunta o médico. “Dois copos? Três?” respondem os jovens, querendo saber: “Isto é para quê? É para entrarmos num estudo?

Luis Patrício tira algumas cartolinas da mala e propõe-lhes que respondam às perguntas lá escritas: “Porquê que bebes?” Resposta: “Para tirar a sede”. “O álcool não tira a sede” explica o médico. “Por exemplo, bebes meio litro de cerveja, urinas mais, desidratas, aumenta a sede.” “Para aquecer”, responde outro. “O álcool não dá calor, retira o calor e não dá energia nem alimenta”.

Assim o médico vai desmistificando muitas das ideias preconcebidas em relação ao consumo de álcool. “Temos de promover uma revolução cultural profunda porque as pessoas continuam a dizer e a pensar que o álcool é bom e os alcoólicos é que não prestam”, diz, sublinhando: “O álcool é uma droga com a qual podemos ter uma relação em determinado tipo de condições e fora das quais não é possível ter uma relação clara”, nota.

Ao deslocar-se aos locais onde os jovens se encontram e convivem, e com recurso aos objectos que guarda no interior da mala, promove a reflexão e dinamiza conceitos de educação para a saúde face a consumos e a comportamentos de risco…

Para este psiquiatra, a droga “não é a substância em si, mas a atitude de a utilizar de uma forma incorrecta, nociva para a saúde”. “Na nossa cultura, o álcool é legal e promovido, é beatificado ou diabolizado e as pessoas não estão informadas sobre a relação que podem ter com ele”, diz o médico. “Pergunte à maioria dos seus amigos qual é a quantidade de álcool que podem consumir sem entrar em patamar de risco para a saúde, pergunte aos profissionais de saúde, e as pessoas não sabem”. E esclarece: “Hoje temos a informação de que um homem não deveria consumir, por dia, mais de duas unidades, dois copos de vinho ou duas imperiais e, por semana, mais de 21 unidades. Uma mulher, não devia consumir semanalmente mais de 14 unidades. Numa ocasião de festa, uma pessoa não devia consumir mais de quatro unidades”…

Quanto aos jovens, já não restam dúvidas: não deviam consumir álcool antes dos 18 anos. Para “esperar que as capacidades do sistema nervoso central atinjam o máximo do seu desenvolvimento antes de ele começar a fazer consumos que possam provocar estragos”, adverte Luis Patrício

Perante a banalização do consumo de álcool entre os jovens portugueses, nos últimos anos, o médico considera que “vale a pena ver onde isso acontece. Em que famílias e em que ambiente”. O que leva estes jovens a procurar e a valorizar mais o que encontram, por exemplo, nas docas, do que o que têm em casa? interroga-se. O mais importante “é o que está por trás do consumo”, salienta E “que educação tiveram os pais para educar os seus filhos?”…

Fica aqui o blog do Dr. Luis Patrício onde poderão ver os resultados desta iniciativa assim como as futuras datas: http://maladaprevencao.blogspot.com.

Fica também a referência à página sobre Álcool do Psiadolescentes!

A totalidade da reportagem encontra-se neste Link: Um psiquiatra, uma mala e a prevenção do alcoolismo entre os jovens – Sociedade – PUBLICO.PT.

Um abraço

DG 2011

Ai a Ressaca…

O consumo imoderado de bebidas alcoólicas nos jovens, redunda, não raras vezes, num conjunto de efeitos psicológicos e físicos indesejados, a que comummente designamos de “RESSACA DO DIA SEGUINTE”.

A “ressaca” do álcool tem gravidade suficiente para perturbar as responsabilidades e o desempenho das actividades de vida diárias. Os sintomas mais frequentes são:

  • fadiga
  • sede
  • dores de cabeça
  • dores musculares
  • náuseas
  • vómitos
  • perturbação do sono
  • vertigens
  • sensibilidade à luz e som
  • alterações da atenção e da concentração
  • depressão, ansiedade e irritabilidade
  • hiperactividade do sistema nervoso (tremor, sudorese, taquicardia)

MECANISMOS:

  • A acção do álcool conduz à desidratação, ao produzir um aumento do débito urinário (diurese) através da inibição directa da hormona anti-diurética, reduzindo assim a reabsorção renal e aumentando a produção de urina. A perda adicional de fluidos por intermédio de diarreias, vómito e da transpiração (por aumento da temperatura corporal), amplifica o processo de desidratação e desequilíbrio electrolítico, com consequente sintomatologia de fraqueza corporal e sensação de “boca seca”.
  • O álcool interfere no trabalho de metabolização do fígado e inibe a disponibilidade da glicose, a principal fonte de energia do cérebro. Logo podem aparecer a sensação de fadiga e fraqueza geral.
  • O efeito vasodiltador do álcool, em concomitância com as alterações da neurotransmissão consequentes à exposição cerebral do álcool ocupam um lugar central na etiologia das dores de cabeça relacionadas com a “ressaca”.
  • A actuação directa do álcool promove a irritação e inflamação do estômago, estimula a secreção de ácidos gástricos e auxilia a acumulação de ácidos gordos no tecido hepático, o que normalmente culmina em dores abdominais, náuseas e vómitos.
  • Os episódios de “ressaca” possuem também custos de aprendizagem substanciais face à diminuição de produtividade e absentismo escolar. Um estudo verificou que 29% dos estudantes já tinham perdido tempo escolar por se encontrarem a recuperar da “ressaca” do álcool.

Surgem na literatura e na internet algumas medidas preventivas e terapêuticas para lidar com a “ressaca” do álcool. Não existe qualquer evidência que suporte a eficácia de alguma intervenção para o tratamento e prevenção da “ressaca” do álcool. Como é óbvio, o único método eficaz para evitar os sintomas de “ressaca” é a abstinência ou a moderação do álcool.

Um estudo recente mostrou que os jovens se envolvem em toda uma série de comportamentos, muitas vezes “caseiros”, para lidar com os efeitos indesejados da “ressaca” do dia seguinte. Cerca de 75.6% da população adolescente já se envolveu nalgum tipo de actividade para lidar com a “ressaca” do álcool, os comportamentos mais referidos foram: ingestão de líquidos, toma de medicação para a dor de cabeça, ingestão de café e consumo de lacticínios.

Conclusões:

  1. Tendo em conta que o consumo de bebidas alcoólicas é um comportamento frequente e normativo da adolescência, propõe-se a adopção de uma perspectiva realista do fenómeno (mais do que ideológica e utópica), que passa por protelar ao máximo o início do consumo do álcool nos jovens, educando-os acerca dos potenciais malefícios do seu consumo dentro de uma perspectiva alargada de incentivo a um estilo de vida saudável. Os pais desempenham aqui um papel fundamental enquanto responsáveis pelo acompanhamento e educação dos filhos.
  2. Se o jovem decide iniciar o consumo de bebidas alcoólicas (facto que nunca deve ocorrer precocemente) é importante que sinta a abertura dos pais para também o fazer junto destes, pois o consumo de álcool é um comportamento, e enquanto comportamento pode e deve ser ensinado e educado.
  3. É sob a supervisão dos pais que os jovens mais velhos podem aprender a beber de uma forma adequada e com controlo – “consumo de álcool benigno”. Quando a aprendizagem de beber ocorre apenas junto dos pares e sem qualquer supervisão de adultos, é “normal” que se generalize uma forma de aprendizagem de consumo do álcool que passa por uma clivagem entre abstinência total junto dos pais e o abuso junto dos pares.

SP 2011

PS: para mais informações consultar o artigo – Samuel Pombo, Daniel Sampaio: DEPOIS DA EMBRIAGUEZ VEM A RESSACA: Uma Perspectiva Sobre o Consumo de Álcool nos Jovens. Acta Médica Portuguesa 2010.

Alguns factos sobre álcool na adolescência

Embora o consumo do álcool seja frequente nos jovens, o seu consumo dependente é raro. Quando ele aparece, representa um forte sinal de mal-estar psicológico que carece de um acompanhamento técnico-profissional ajustado.

O comportamento de consumo de bebidas alcoólicas pelos adolescentes é veiculado por um encontro entre a substância álcool, o meio e um elemento pivot – o cérebro em desenvolvimento.

Nas primeiras experiências com bebidas alcoólicas, os estudos apontam para a maior preponderância dos factores sociais e psicológicos, enquanto que para o desenvolvimento de um problema de dependência do álcool, os factores biológicos parecem ter maior relevo.

Para alguns adolescentes, o consumo pode representar a inclusão num grupo de pares, integrado num processo de mimetização de comportamento enquanto agente facilitador dessa integração; noutros casos pode simbolizar um ritual de transição para a adulticia, ou significar um comportamento de rebeldia face a uma realidade discordante, ou conflito de autonomia.

A iniciação do consumo do álcool também e influenciado por condicionante sociais que incluem os efeitos da propaganda de bebidas alcoólicas sobre os jovens, com práticas de marketing bastante agressivas, as quais os jovens tendem a responder de uma forma emocional, podendo modificar o seu sistema de crenças e expectativas em relação ao beber.

Actualmente, a precocidade da idade de início do consumo de bebidas alcoólicas é uma realidade preocupante, evoluindo dos 18 anos no início da década de 70, para uma média actual que ronda os 13/14 anos.

A investigação mostra que o início do consumo de bebidas alcoólicas antes dos 14 anos de idade representa um factor de risco para o desenvolvimento de dependência do álcool na vida adulta.

É importante realçar que o consumo de bebidas alcoólicas na adolescência torna-se muito alarmante quando este aparece associado a alterações comportamentais e psicológicas (perturbações de conduta, impulsividade, défice atenção).

Os estudos revelam que a passagem para um consumo excessivo e potencialmente problemático na adolescência pode ser facilitada por vários factores de risco:

  • Existem factores genéticos que parecem influenciar a resposta do adolescente ao efeito do álcool. Por exemplo, adolescentes com uma baixa resposta ao efeito tóxico do álcool, ou seja, que não apresentam muitas consequências da intoxicação – elevada tolerância (por exemplo, ressaca, incoordenação motora), têm maior risco de desenvolver problemas com ao álcool.
  • Da mesma forma, aqueles adolescentes com uma elevada sensibilidade aos efeitos euforizantes do álcool (por exemplo, desinibição social, sexual) podem igualmente circunscrever um grupo de risco para o desenvolvimento de dependência.
  • Claro que se adicionarmos estes mecanismos neurobiológicos a um contexto social e cultural vigente, que não só é permissivo ao consumo do álcool, mas igualmente à embriaguez, podemos esperar um potencial de abuso do álcool bastante inflacionado.
  • O modelo de suporte social e familiar pode ter também implicações no consumo de álcool do adolescente. O consumo excessivo de álcool poderá tornar-se mais frequente em adolescentes que são “educados” em famílias disfuncionais, com modelos parentais que manifestam uma atitude favorável em relação ao consumo excessivo de álcool dos filhos, ou indiferença face a esse consumo, ou quando existe uma total ausência de comunicação e supervisão

SP 2011

Estudo sobre estilos de vida dos adolescentes Portugueses

Noticia de um importante estudo português que revela alguns dados interessantes sobre o comportamento dos adolescentes em Portugal. Texto retirado do Jornal Público de 14/12/2010.

Não saem à noite, não fumam, não bebem e começam a vida sexual mais tarde. De manhã, tomam o pequeno-almoço. Na escola não se envolvem em lutas e gostam dos seus professores. Em casa, estão à frente da televisão ou do computador e, talvez por isso, praticam menos exercício físico. Há mais um senão: o consumo de drogas aumentou ligeiramente entre os adolescentes e jovens portugueses dos 6.º, 8.º e 10.º anos.

Estes são os resultados preliminares do estudo coordenado por Margarida Gaspar de Matos para o Health Behaviour in School-aged Children, que é apresentado hoje, em Lisboa. Os resultados finais serão conhecidos em Abril. Trata-se de um estudo colaborativo da Organização Mundial de Saúde (OMS), feito de quatro em quatro anos, com o objectivo de estudar os estilos de vida e os comportamentos adolescentes. Os dados portugueses foram recolhidos para o relatório de 2012, onde se reúne a informação de outros 43 países.

“Há questões que fazem muito barulho [como o bullying] mas que não são universais. Há realidades que são só da nossa rua”, justifica Margarida Gaspar de Matos. Por isso, apesar da crise económica, “cada vez há menos miséria cultural e económica em Portugal”. “Há nichos preocupantes mas residuais, pelo menos no modo como os alunos percebem e nos relatam os factos”, aponta a professora da Faculdade de Motricidade Humana, da Universidade Técnica de Lisboa.

Segundo o inquérito feito a cinco mil jovens de 136 escolas públicas (as mesmas desde 1998), os pais também melhoraram a sua escolaridade. Aí pode estar um factor para a melhoria da situação, continua. Mais: a maioria dos adolescentes que constituem a amostra é de nacionalidade portuguesa. Há quatro anos, a maioria dos pais tinha o 1.º ciclo; actualmente, têm o 2.º ou o 3.º e têm também profissões mais qualificadas. Esta alteração pode dever-se à iniciativa Novas Oportunidades. “É uma mudança fantástica porque a escolaridade da mãe é o melhor preditor de saúde pública. Uma mãe escolarizada mexe-se melhor no sistema de saúde e no da educação”, revela.

Um quinto dos rapazes afirma já ter tido relações sexuais. No conjunto das raparigas e dos rapazes, a maioria (83,1 por cento) diz nunca ter tido relações sexuais. Em inquérito feito apenas aos alunos do 10.º ano que referiram já ter iniciado a sua vida sexual, oito em cada dez respondem que iniciaram aos 14 anos ou mais. Nove por cento dos rapazes respondem que iniciaram aos 11 anos ou menos, contra dois por cento das raparigas.

Quem já começou a sua vida sexual não teve relações associadas ao consumo de álcool ou de drogas (87,3 por cento). As raparigas usam mais frequentemente o preservativo (96,2, mais quatro por cento do que os rapazes) e a pílula é usada por 37,5 por cento das inquiridas. A maioria não usou espermicidas ou o coito interrompido na primeira relação. Na verdade, 85,1 por cento nem sabem que método usaram. Sobre quem decide, metade dos inquiridos dos 8.º e 10.º anos responde que é o casal.

Porque é que iniciaram a sua vida sexual? Metade responde que queria experimentar, 47 por cento estava “muito apaixonado/a”, 28 “já namoram há muito tempo”, 18 por cento confessam que “aconteceu por acaso” e 13 por cento respondem que não queriam que o “parceiro ficasse zangado”.

Seis em cada dez não saem à noite com os amigos. O consumo de tabaco e de álcool diminuiu em quatro anos – um quinto dos jovens responde que já se embriagou uma ou três vezes -, mas a experimentação de drogas aumentou umas décimas. Gaspar de Matos não sabe o que é que estes dados significam.

Em casa, os adolescentes vêem muita televisão, embora menos do que em 2006 – na altura, 35,8 por cento viam mais de quatro horas diárias, durante a semana, contra 25,2 este ano. Mas passam mais horas ao computador – há quatro anos, 29,5 respondiam que nunca o usavam durante a semana; agora são apenas 12 por cento.

Sete em cada dez não se envolveram em lutas no último ano e gostam da escola, 80 por cento gostam de estar com os colegas e 85 por cento consideram que os professores têm uma boa percepção das suas capacidades académicas. Em média, os inquiridos que participaram no estudo têm 14 anos, pesam 53,4 quilos e medem 1,61 metros. A maioria – sobretudo os rapazes – está satisfeita com o seu corpo.

Link para a notícia integral: Público – Jovens portugueses estão a sair menos à noite e já trocaram a TV pelo computador.

DG 2010

Sondagem sobre drogas e saúde mental

Temos vindo a fazer uma sondagem aos leitores do psiadolescentes em que perguntamos: “Na tua opinião, qual destes produtos tem mais consequências a nível de saúde mental?“.

Estes foram os resultados dos 289 votos.

A maioria das pessoas achou que as chamadas “drogas duras”, heroína e cocaína, são as mais prejudiciais, deixando para segundo plano o ecstasy, o álcool e a cannabis.

É uma pergunta rasteira, pois todas elas são altamente prejudiciais para o desenvolvimento do cérebro do adolescente e todas estão altamente associadas a elevados riscos para a saúde mental.

Sabemos que as principais drogas utilizadas pelos adolescentes são o cannabis e o álcool, seguidas de substâncias psicoestimulantes (“pastilhas”, ectasy, “speeds”).

Um pequeno resumo das consequências a nível mental destas substâncias:

  • Heroína: para além do risco de dependência muito elevado (mesmo após um único consumo), para além do risco de overdose fatal, para além do risco de doenças infecto-contagiosas, o uso de heroína está associado a depressão, ansiedade, desorganização do comportamento, lentificação do pensamento e perda de controlo sobre os impulsos.
  • Cocaína: para além do risco de dependência muito elevado (mesmo após um único consumo), para além do risco de overdose fatal, para além do risco de doenças infecto-contagiosas, o uso de cocaína pode levar a psicose, ansiedade, depressão e insónia muito grave.
  • Ecstasy: para além do risco de desidratação, pode levar a psicose, perda de controlo do comportamento, está ligada a depressão nos dias seguintes ao consumo e… pode levar a lesões cerebrais irreversíveis, com efeitos a nível da memória, da atenção e do sono.
  • Cannabis: o uso regular afecta a memória e a capacidade de concentração, pode levar a um síndrome de desmotivação (em que uma pessoa está sempre apática e com baixa iniciativa), pode levar a perturbações de ansiedade e psicoses, podendo levar ao inicio de uma esquizofrenia (doença crónica) em pessoas predispostas para esta doença.
  • Álcool: um estudo recente inglês, refere que o álcool é a substância que mais prejuízo traz ao próprio e à sociedade. Quando utilizado na adolescência, altura em que o cérebro ainda se está a desenvolver, pode levar a lesões cerebrais (incluindo a morte de neurónios ou ligações defeituosas), que afectam a memória, a capacidade de pensar de forma abstracta ou de resolver problemas. Leva à dependência, à depressão, a dificuldades no sono e a descontrolo do comportamento.

A mensagem é:

Não existem drogas “menos más”, saibam dizer não e protejam o vosso cérebro!

Abraços
DG 2010

Alerta sobre o consumo de álcool na adolescência

Noticia retirada do Público de 10 de Março de 2009:

O presidente do Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT) acusa os pais de se “demitirem das responsabilidades enquanto educadores” ao permitirem que os filhos saiam à noite e bebam em excesso.

Para o presidente do IDT, João Goulão, não faz sentido a ideia de que os progenitores desconhecem o que fazem os filhos: “Os pais têm de saber que os filhos bebem quando saem à noite” e por isso, conclui, estão a “demitir-se das suas responsabilidades enquanto educadores”.

“Quando saem, muitos jovens bebem álcool e também bebem o juízo”, disse João Goulão, em entrevista à agência Lusa.

Além das mazelas directas para a saúde do consumo excessivo de bebidas alcoólicas, João Goulão lembra que essas noitadas podem terminar em gravidezes não desejadas, no contágio de doenças sexualmente transmissíveis, envolvimento em actos de violência e acidentes de viação.

Os consumidores de álcool apresentam “com mais frequência envolvimento com experimentação e consumo de tabaco e substâncias ilícitas e envolvimento em lutas e situações de violência na escola”, alerta o Plano Nacional para a Redução dos Problemas Ligados ao Álcool, do IDT, em discussão pública desde Fevereiro.

De acordo com estudos referidos no plano, os jovens começam a beber cada vez mais novos e em cada vez mais quantidades: o início do consumo de álcool está a aumentar entre os 15 e os 17 anos, tendo passado dos 30 por cento em 2001 para os 40 por cento em 2007.

Além disso, os mais novos estão a adoptar perigosos padrões de consumo até agora associados aos povos nórdicos, de “grandes exageros aos fins-de-semana”.

Quase metade dos jovens entre os 15 e os 24 anos admitiu ter tido, pelo menos uma vez no último ano, um consumo tipo “binge” (mais de quatro doses de bebida numa só ocasião) e 11,2 por cento dos adolescentes entre os 15 e os 19 anos assumiram “ter-se embriagado no último mês”, refere o relatório, citando um estudo nacional.

“Os portugueses estão a adoptar padrões de consumo nórdicos, ou seja, de grandes exageros ao fim-de-semana e quase abstinência durante a semana”, afirmou o presidente do IDT.

João Goulão lembrou que os portugueses bebiam “tradicionalmente num contexto de convivialidade”: “Quando havia uma reunião de amigos, as pessoas iam conversando, discutindo e bebendo”.

“Agora, nesta nova forma de beber, muitas pessoas embebedam-se mesmo antes de ir ter com os amigos. Bebem rapidamente muitas quantidades com o intuito claro de alterar o seu estado de consciência e depois é que vão para a rua. É a nova tendência de beber dos jovens”, alertou.

O “binge drinking” é responsável por 27 mil mortes acidentais, dez mil suicídios e dois mil homicídios todos os anos na Europa, refere o relatório do IDT.

Comentário: É sem dúvida um assunto preocupante, que em muito preocupa todos aqueles que trabalham com adolescentes. Sugiro que para mais informações consultem a nossa página, recém acabada, sobre álcool.

DG 2009