Ansiedade

A ansiedade é uma experiência comum a todos os seres humanos.

Trata-se de um sentimento normal e transitório, emocionalmente desagradável, apresentando uma funcionalidade adaptativa (assinala antecipadamente uma ameaça e leva à acção necessária).

É um sintoma dominante em várias doenças e apresenta sintomas, psíquicos, somáticos, comportamentais e perceptivos.

Psíquicos

  • Humor ansioso (inquietude)
  • Medos (multidão, desconhecidos, abandono, escuridão, etc.)
  • Dificuldades de pensamento (desconcentração, distractibilidade, alterações de memória, etc.)
  • Distúrbios afectivos (impaciência, irritabilidade, instabilidade emocional, agressividade, etc.
  • Insónia
  • Despersonalização (sensação de não estar em si)
  • Desrealização (sensação de estar noutra realidade)

Comportamentais

  • Evitamento de situações
  • Isolamento social
  • Rituais (limpeza, lavagem, organização, contagem, etc.)
  • Abuso de álcool
  • Abuso de drogas
  • Comportamentos auto-lesivos

Corporais

  • Tensão muscular
  • Fadiga
  • Câimbras
  • Tremores
  • Dores de Cabeça
  • Tonturas
  • Suores frios
  • Palpitações
  • Hipertensão
  • Náuseas
  • Cólicas
  • Diarreia
  • Urgência urinária
  • Boca seca
  • Tosse
  • Dor de peito
  • Vermelhidão ou Palidez
  • Extremidades frias
  • Sensação de falta de ar ou engasgamento

Perceptivos

  • Ilusões (má interpretação de coisas que vê ou ouve )

Como referido anteriormente, a ansiedade tem uma funcionalidade adaptativa, preparando o ser humano para reagir perante o perigo. Poderemos considerar que existe uma continuidade entre a ansiedade considerada normal e a ansiedade patológica. A influência da ansiedade sobre o desempenho de tarefas é mostrada na figura lateral, que representa a Lei de Yerkes-Dodson, descrita no inicio do século XX. Verifica-se que o aumento do nível de ansiedade é essencial para se conseguir um rendimento máximo ou óptimo, nesta fase o indivíduo apresenta-se atento, concentrado e os seus parâmetros fisiológicos (tensão arterial, pulsação, respiração, etc.) estão adaptados para lidar com o desafio que se apresenta. No entanto se a estimulação ansiogénica continuar a aumentar, ultrapassando as capacidades adaptativas do indivíduo, vamos assistir a uma desintegração catastrófica do desempenho e entramos no campo da ansiedade patológica.

Falamos de perturbação de ansiedade quando existe um padrão de resposta de ansiedade que não se adapta as condições externas da pessoa e que leva a sofrimento.

Breve descrição das Perturbações de Ansiedade:

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Fobia específica (FE)

A fobia simples ou isolada é caracterizado pelo medo excessivo ou irracional (e limitado) a determinadas pessoas, animais, objectos ou situações (por exemplo, voar, dentistas, ver sangue, etc.). Estas situações ou objectos são evitados ou vividos com grande aflição.

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Fobia Social ou Perturbação de Ansiedade Social (FS)

A FS é caracterizada por um medo marcado, persistente e irracional de ser observado ou avaliado negativamente pelos outros, em situações sociais ou em que o seu desempenho é posto à prova. Está associada com sintomas físicos e psíquicos de ansiedade. Situações temidas (tais como falar com estranhos ou comer em público) são evitadas ou vividas com grande aflição.

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Perturbação de Ansiedade Generalizada (PAG)

A PAG é caracterizada por uma preocupação constante, excessiva e inapropriada, que é persistente (meses) e não limitada a circunstâncias particulares. Os doentes têm sintomas físicos e psíquicos de ansiedade característicos: inquietude; fadiga; dificuldades de concentração; irritabilidade; tensão muscular e dificuldades de sono. Muitas vezes está associado a uma perturbação depressiva ou a outras perturbações de ansiedade.

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Perturbação de Pânico (PP)

A PP é caracterizada por episódios recorrentes e inesperados de ansiedade severa (“ataques de pânico”), apresentando vários graus de ansiedade antecipatória entre os ataques. Os ataques de pânico são períodos breves de medo ou desconforto intenso, acompanhados de vários sintomas físicos e psíquicos de ansiedade, tais como: palpitações; sudorese; tonturas; sensação de falta de ar ou engasgamento; tremor; desrealização ou despersonalização. Tipicamente os ataques de pânico chegam à sua intensidade máxima em 10 minutos e duram cerca de 30 a 45 minutos. A maioria dos pacientes desenvolve medo de ter futuros ataques de pânico.

Cerca de 2/3 dos pacientes com PP desenvolvem Agorafobia, definida como medo de sítios ou situações de onde pode ser difícil fugir ou onde pode não existir ajuda disponível, no caso de vir a ter uma ataque de pânico. Exemplos incluem: multidões; transportes públicos ou, simplesmente, estar fora de casa. Estas situações são evitadas ou vividas com grande aflição.

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Perturbação Pós-Stresse Traumático (PPST)

A PPST é caracterizada por uma história de exposição a um trauma (definido como uma situação que envolve experiências de morte, perigo de morte, lesão significativa ou risco para a integridade, do próprio ou dos outros em que a resposta do indivíduo envolveu medo intenso, horror ou sensação de impotência) e pela presença de três tipo de sintomas:

  • Revivenciar a experiência traumática (pensamentos intrusivos, pesadelos recorrentes, “Flashbacks”, sentir ou agir como se o acontecimento ainda estivesse a ocorrer, angústia intensa quando exposto a pessoas, locais ou conversas relacionadas com o evento);
  • Evitamento e embotamento afectivo (evitamento de situações ou pessoas relacionadas com o trauma, diminuição do interesse na maioria das actividades, sentimento de “desligamento dos outros”, incapacidade de sentir, amnésia para partes do trauma);
  • Hipervigilância (problemas de sono, irritabilidade, raiva, dificuldades de concentração, “Reacção de alarme” hiperactiva).

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Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC)

A POC é caracterizada por:

  • Obsessões, definidas como ideias persistentes associadas a um sentimento penoso e de estranheza, existindo resistência a estas e consciência da sua estranheza. Exemplos de obsessões comuns são: medo de contaminação; medo de acidentes; preocupações religiosas ou sexuais.
  • Compulsões, definidas como actos motores irresistíveis que reduzem a ansiedade provocada pelas obsessões, muitas vezes chamados rituais. Exemplos de rituais comuns são: lavagens de mãos repetitivas; verificações excessivas; limpezas ou contagens incessantes.

As obsessões e compulsões ocorrem de forma recorrente, causam mal estar ao indivíduo, ocupam tempo excessivo e interferem com as suas funções sociais e ocupacionais.

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Perturbação de Ansiedade de Separação (PAS)

As crianças ou adolescentes com PAS receiam intensamente ficar longe das figuras com um forte vínculo afectivo (normalmente um ou ambos os pais). Podem ser incapazes de permanecer sozinhas fora, ou mesmo dentro, de casa. Tendem a exibir um comportamento de grande dependência dos pais, costumam andar juntos como uma sombra atrás dos progenitores. A sua necessidade de permanecer constantemente perto de um dos pais ou em casa, pode dificultar a sua ida à escola ou a capacidade de socializar e fazer amigos, prejudicando o desenvolvimento de competências sociais.

DG 2007


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3 thoughts on “Ansiedade

  1. Estou tendo sensaçoes de desrealização, ja senti um pouco de despersonalização, pensamentos antecipatórios, agora estou com sensaçoes horriveis das pessoas serem irreais, os carros se movimentando no dia a dia, até qualquer movimento das pessoas me deixa frustado,inseguro, me deixa com medo, ja tive tantos pensamentos bizarros nesses 4 meses que desencadeou isso, sensações de medo do escuro, medo da luz, medo de está dentro da terra, gente eu já senti tanta coisa nesses meses com absurdos que eu nunca tive na minha vida, se alguém puder dá alguma orientação.

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