Suicídio e comportamentos auto-lesivos em Jovens

Transcrevem-se alguns excertos da notícia que saiu no Diário de Notícias, a 20 de Maio de 2010.

Jovens são quem mais procura ajuda para prevenir suicídios

Metade das pessoas que procuram a consulta de prevenção do suicídio dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) têm menos de 24 anos. Em Portugal, houve oito casos de suicídio em jovens dos 11 aos 20 anos em 2007, segundo dados avançados ao DN pelo Instituto Nacional de Medicina Legal (INML). E outros oito só nos primeiros seis meses de 2008.

Em Coimbra, cerca de 20% dos jovens atendidos tornam-se repetentes, com três ou mais comportamentos suicidários, revela o fundador da consulta, Carlos Braz Saraiva. Ou seja, comportamentos autodestrutivos, que nem sempre têm como objectivo o suicídio, mas são um indicador de risco, explica o especialista.

A automutilação e a overdose de medicamentos são mesmo os comportamentos destrutivos mais comuns, segundo um estudo realizado no departamento de Psiquiatria do Hospital de Santa Maria, em Lisboa. O primeiro é aliás mais frequente do que se pode pensar: de acordo com números internacionais, pelo menos 10% dos jovens em idade escolar já se automutilaram, revela Diogo Guerreiro, um dos psiquiatras da consulta. Por isso, vai avançar este ano com um estudo com 700 jovens das escolas de Lisboa para avaliar a verdadeira dimensão do problema. “Não temos ideia de quantos adolescentes nas escolas têm estes comportamentos ou se mutilam, nem quem são e porquê. E só assim se poderá trabalhar em política de prevenção”, diz.

“Nos casos em que as mesmas pessoas nos aparecem mais do que uma vez, a automutilação já se tornou numa estratégia para lidar com conflitos e frustrações”, acrescenta Carlos Braz Saraiva, fundador da consulta de Coimbra, que avançou ao DN outros números que serão divulgados hoje no XXI Encontro Nacional de Psiquiatria da Infância e da Adolescência, em Beja.

Cerca de 70% das mais de mil pessoas que atenderam eram do sexo feminino. A grande maioria das situações (90%) acontecem em casa e não são planeadas, mas resultado de um impulso (80%).

Para o especialista, na origem destes problemas está o sentimento de rejeição, nomeadamente pela família. Mas a grande maioria deste jovens, cerca de 80%, espera que o seu acto os ajude a mudar de vida.

O psiquiatra Daniel Sampaio lembra que é sempre “um sinal de uma adolescência perturbada e uma situação de alarme”, que deve levar a procurar ajuda. Mesmo quando são problemas transitórios ou chamadas de atenção – já que são mais comuns nos adolescentes do que nos adultos – são um sinal de problemas que devem ser tratados, acrescenta Diogo Guerreiro. É que embora este tipo de comportamento não seja sempre acompanhado da intenção de suicídio, estes jovens estão em risco, alerta.

Em 2007, houve oito casos de suicídio em jovens – ou seja, 1,25% do total de casos, que foi de 89. E só no primeiro semestre de 2008 houve outros oito – num ano em que o número de suicídios aumentou para 921.

Nunca é demais chamar a atenção para este problema, apostando em estratégias de prevenção do suicídio, mas também em estratégias de promoção da Saúde Mental.

DG 2010

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2 thoughts on “Suicídio e comportamentos auto-lesivos em Jovens

  1. Eu conheço muito amigos meus que ja tentaram suicídio uma vez na vida.
    Era muito comum meus amigos cortaram os pulsos entre outras coisas.

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