Os comportamentos auto-lesivos na adolescência têm sido foco de crescente atenção social e dos profissionais de saúde mental.
Muitos são os termos utilizados para descrever este fenómeno: comportamentos auto-agressivos; comportamentos auto-destrutivos; auto-mutilações; tentativas de suicídio; para-suicídio. Todas estas designações partilham algo em comum, tratam-se de comportamentos que em maior ou menor grau são prejudiciais e lesivos para o próprio e para o seu corpo, ocorrendo de forma deliberada.
Destes comportamentos os mais comuns são as auto-mutilações e as sobredosagens medicamentosas.
Apesar de não existirem estudos específicos da população portuguesa, espera-se que a prevalência destes comportamentos seja elevada, tal como o é em outros países. Os comportamentos auto-lesivos estão relacionados com várias doenças psiquiátricas, sobretudo depressão, perturbação borderline de personalidade, psicoses e perturbações de comportamento. Embora possam ocorrer na ausência de qualquer perturbação.
São um factor de risco muito relevante para Suicídio completo.
Um estudo recente do Núcleo de Estudos do Suicídio, do Hospital de Santa Maria, investigou qual o perfil do adolescente que apresenta este tipo de comportamento. Verificou-se que estes jovens apresentam mais dificuldades no dia-a-dia, tendo menos capacidades para lidar com estas situações. Tem tendência a apresentar-se deprimidos, mas com grande relutância e pouca motivação para o seguimento psicológico e/ou psiquiátrico. Apresentam com mais frequência conflitos familiares.
É importante intervir cedo nestas situações. Tentar procurar com o adolescente uma outra forma de lidar com situações desagradáveis e angustias que não passe por estes comportamentos, que a longo prazo só o farão sentir-se pior consigo mesmo e com os outros.

Fica aqui a referência e link para o artigo:
Guerreiro DF, Neves EL, Navarro R, Mendes R, Prioste A, Ribeiro D, Lila T, Neves A, Salgado M, Santos N, Sampaio D. Clinical features of adolescents with deliberate self-harm: A case control study in Lisbon, Portugal. Neuropsychiatr Dis Treat. 2009;5:611-7.
DG 2010

























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