A indisciplina é uma perturbação psicológica??

indisciplinaMuitas vezes ouvimos pais preocupados que nos perguntam se os comportamentos de indisciplina revelam algum tipo de perturbação psicológica e se deveriam procurar ajuda junto de um técnico de saúde mental especializado.

Importa primeiro que tudo dizer que indisciplina não é sinónimo de doença mental ou de agressividade, ainda que esta última possa eventualmente estar presente em alguns comportamentos “indisciplinados. Os comportamentos de indisciplina não são também algo de “anormal”!! A indisciplina faz parte da vida das nossas escolas e dos nossos alunos. É parte integrante de uma instituição com regras claras e definidas, mais ou menos importantes, onde a indisciplina pode ser não mais do que o quebrar destas regras.

Arriscaria dizer até que não existem adolescentes sem comportamentos (pontuais) de indisciplina e que idealmente todos devem, ocasionalmente, desafiar estes limites estabelecidos. Isto porque das tarefas da adolescência faz parte o questionar das regras, o desafiar dos limites e a tomada de decisões cada vez mais individualizadas, tarefas sem as quais a construção de uma identidade saudável e o desenvolvimento de um sistema de valores e atitudes coerente, não são possíveis. Um jovem que nunca questiona e contraria as regras é certamente alguém que experimenta, no seu desenvolvimento, dificuldades de autonomização.

Para ler mais…

Internet, adolescentes e saúde mental

intadolUtilizar a internet, dominar os blogs, as páginas do myspace ou do hi5, pesquisar informação em sites, são coisas que qualquer adolescente de hoje sabe fazer. Será também algo que muitos farão de maneira mais ou menos regular.

Apesar de muitas vezes se falar negativamente da utilização da internet pelos mais jovens, dos riscos associados à sua utilização não supervisionada, o que é certo é que não é possível que os adolescentes não utilizem esta preciosa fonte de conhecimento e comunicação…

Para mais informações acerca de riscos de utilização da internet sugiro que consultem este site.

Foi com esta ideia que o departamento de saúde de Nova Iorque decidiu abrir uma página no myspace dedicada a ajudar adolescentes em matéria de saúde mental. Dizem os autores: “…os jovens podem não ir a um doutor mas ao myspace vão…  cerca de 20% dos jovens apresentam problemas de saúde mental, mas menos de 20% são tratados.”

A utilização da internet como facilitadora da comunicação e da expressão do sofrimento psíquico nos adolescentes poderá ser uma via para que mais jovens procurem ajuda, melhorando a sua qualidade de vida futura.

Fica aqui a página: http://www.myspace.com/nycteen_mindspace

Sugiro que façam os quiz dessa página.

Um abraço
DG

Perturbações do comportamento alimentar

As perturbações do comportamento alimentar (anorexia nervosa, bulimia nervosa e binge eating) são problemas psicopatológicos sérios que afectam principalmente as mulheres jovens.

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Em relação à Anorexia Nervosa estima-se que exista entre 0,5 a 1% das mulheres no final da adolescência.  Os valores são ligeiramente mais altos para a Bulimia Nervosa, entre 1 a 2%. Já no caso do Binge Eating (compulsão alimentar) não existem dados precisos, mas pensa-se ser bastante mais comum afectando também os homens e ocorrendo em qualquer idade.

São problemas graves, mal reconhecidos e que levam a grande sofrimento das pessoas deles padecem. Podem mesmo chegar a pôr a vida da pessoa em risco.

Na generalidade as pessoas afectadas apresentam uma relação patológica com os alimentos (por exemplo: não são fonte de energia para as suas necessidades mas sim modo de controlar o seu stresse) ou com o seu corpo (normalmente focando na sua magreza ou no excesso de peso os seus problemas). Apresentam também um descontrolo em relação aos seus impulsos para a alimentação ou para a restrição.

Alguns sinais de alarme que podem alertar para a presença de uma doença do comportamento alimentar:

  • Continuar uma dieta, mesmo depois de já estar visivelmente magro
  • Levantar-se da mesa logo após as refeições
  • Incapacidade de comer o mesmo que os outros
  • Discussões frequentes sobre o tema da alimentação
  • Preocupação excessiva acerca do corpo e da alimentação
  • Desinteresse noutros temas que não alimentos ou corpo
  • Comer para compensar o “dia correr mal” ou para reduzir o stresse
  • Aparecimento de sinais fisícos: perda do período, pele seca, queda de cabelos, mau hálito, cáries, inchaço das glândulas salivares

Como já foi dito, tratam-se de doenças complicadas com consequências graves e que devem ser identificadas e tratadas o mais cedo possível.

Para mais informações vejam o nosso conteúdo sobre perturbações do comportamento alimentar.

DG 2009

Dietas associadas a aumento de peso nos Adolescentes

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Actualmente, existem uma série de estudos que acompanham grandes grupos de crianças e adolescentes ao longo do tempo, permitindo verificar quais os comportamentos que estão na base da obesidade futura.
Um dado intrigante surgiu destes estudos: crianças ou adolescentes que seguem dietas para perder peso antes dos 16 anos de idade, têm uma probabilidade maior de serem obesos aos 30 anos, comparativamente àqueles que não o fazem. Foi também observado que adolescentes que fazem dieta no início do período de estudos tem uma probabilidade três vezes superior de serem obesos cinco anos mais tarde. Estes resultados são iguais para as raparigas e para os rapazes.
Estes estudos verificaram que o tipo de dieta é indiferente. Práticas “saudáveis”, como a escolha de dietas de baixo teor em gordura, equilibradas, ricas em frutas e vegetais (o tipo de dieta recomendada pelos profissionais de saúde), têm tão pouco sucesso, como os comportamentos para perda de peso considerados menos saudáveis, tais como o jejum prolongado, o saltar refeições, as dietas extremistas e transitórias ou a indução de vómito.
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Suicídio em crianças e adolescentes… uma prioridade na Europa

 O suicídio na adolescência é cada vez mais um problema de saúde pública que, apesar da sua importância, permanece ainda muito desvalorizado.

Estudos indicam que na Europa morrem mais adolescentes por suicídio do que em acidentes de viação… tendo isto em conta, pensemos na quantidade de campanhas de prevenção rodoviárias a que assistimos e a escassez na prevenção da doença mental e suicídio na adolescência.

O parlamento europeu na sua Resolução 1608 de 2008, recomenda que todos os países da UE implementem estratégias de identificação de jovens em risco e de prevenção de suicídio, tornando esta questão numa prioridade politica.

Algumas sugestões deste grupo de trabalho:

       Educação para a saúde mental nas escolas

       Prevenção da violência e de bullying na escola

       Combater abuso de álcool e drogas em jovens

       Promover o apoio às famílias em crise

       Melhorar os conhecimentos dos adolescentes acerca de comportamentos suicidários e sinais de risco

       Tomar medidas para que os adolescentes não trivializem o suicídio

       Envolver as várias entidades que contactam com adolescentes, nomeadamente no campo da saúde mental, como centros de saúde, hospitais, escolas, organizações não governamentais, faculdades, etc.

Há muito trabalho pela frente, estaremos à altura do desafio?

Estão os adolescentes e as suas famílias motivados para por os políticos a mexer?

Em nome de uma melhor saúde mental e de  uma vida mais feliz e saudável, é urgente que isto aconteça!

 

            DG 2009