Psiadolescentes Weblog

Depressão

O que é isto de estar deprimido!?….

A depressão é uma das doenças psiquiátricas mais frequentes. Pensa-se que uma em cada quatro mulheres e um em cada dez homens, podem vir a ter crises depressivas durante a sua vida. Ao contrário do que se pensava até meados do século XX, as crianças e adolescentes também podem ser afectados.

Uma perturbação depressiva é uma doença que envolve o corpo, o humor e os pensamentos. Afecta a maneira como a pessoa come e dorme, a visão que tem de si e o modo de pensar sobre as coisas. Não é o mesmo que “estar em baixo”, não é um sinal de fraqueza pessoal, nem algo que se possa controlar. As pessoas com uma perturbação depressiva não conseguem simplesmente “recompor-se” ou “animar-se”.

O seu diagnóstico passa muitas vezes despercebido, quer por falta de reconhecimento da depressão como doença, quer porque os seus sintomas são atribuídos a outras causas (doenças físicas, stresse, etc.).

A depressão não deve ser confundida com sentimentos tristeza como “estar em baixo” ou “desmoralizado”, que são geralmente reactivos a acontecimentos da vida e transitórios. Trata-se de uma perturbação do humor ou seja uma disposição emocional a longo termo, que se mantém ao longo do tempo, que afecta significativamente o rendimento no trabalho (ou escolar), a vida familiar, afectiva e o simples existir do doente, que sofre intensamente.

Embora a característica mais tipica dos estados depressivos seja a proeminência dos sentimentos de tristeza ou vazio, nem todos os doentes relatam essas sensações. Muitos referem, sobretudo, a perda da capacidade de experimentar prazer nas actividades em geral e a redução do interesse pelo meio externo. Frequentemente associa-se à sensação de fadiga ou perda de energia. Sem tratamento, os sintomas podem permanecer por semanas, meses ou anos.

Felizmente, com o tratamento apropriado, é possível ajudar a maior parte das pessoas que sofre de depressão.

Principais Sintomas de Depressão
  • Sentimentos de tristeza e de vazio
  • Perda de interesse e prazer nas actividades diárias
  • Diminuição da energia, fadiga e lentidão
  • Irritabilidade, tensão ou agitação
  • Sensações de aflição, preocupação com tudo, receios infundados, insegurança e medos
  • Perturbação do apetite (com ou sem variação de peso)
  • Perturbação do sono
  • Perturbação do desejo sexual
  • Pessimismo e perda de esperança
  • Sentimentos de culpa, de auto-desvalorização e ruína
  • Alterações da concentração, memória e raciocínio
  • Sintomas físicos não devidos a outra doença (ex. dores de cabeça, perturbações digestivas, dor crónica, mal-estar geral)
  • Ideias de morte e tentativas de suicídio

A origem da depressão, está longe de ser totalmente compreendida. Muitos casos de depressão ocorrem após determinados eventos “stressantes”, no entanto nem todas as pessoa ficam deprimidas nessas circunstâncias. A probabilidade de certa pessoa vir a sofrer de uma perturbação depressiva depende de uma complexa interacção entre factores biológicos, psicológicos e sociais (ver figura).

Factores que podem levar a depressão

Os sintomas chaves da depressão são os mesmos nas crianças, adolescentes e nos adultos, no entanto o reconhecimento da perturbação pode ser mais difícil nos primeiros por múltiplas razões. Estes podem ter dificuldade em identificar e descrever os seu estado emocional interno, por exemplo, em vez de dizerem que se sentem mal podem tornar-se irritáveis e apresentar comportamentos violentos o que pode ser interpretado como “uma criança ou adolescente mal comportado”.

Adolescentes deprimidos não estão sempre tristes; apresentam-se principalmente irritáveis e instáveis, podendo ocorrer crises comportamentais de explosão e raiva. Outras características próprias desta fase são a quebra no desempenho escolar, a baixa auto-estima, as ideias e tentativas de suicídio e graves problemas de comportamento, especialmente o uso abusivo de álcool e drogas.

Sinais de alarme que devem alertar para possível depressão na adolescência

  • Períodos duradouros ou excessivos de humor irritável ou depressivo
  • Isolamento da família e/ou dos amigos
  • Hostilidade para com a família e/ou amigos
  • Quebra de rendimento escolar ou faltas à escola
  • Desistência de actividades de grupo
  • Abuso de substâncias (álcool e/ou drogas)
  • Violência física
  • Actividade sexual imprudente
  • Fugas de casa

O tratamento da depressão pode ser feito de várias formas, com medicamentos (antidepressivos e outros), com psicoterapia, com actividades que visam promover a auto-estima, com apoio a nível familiar, gestão de conflitos ou com uma combinação de vários destes métodos.

O tratamento é eficaz, pode prevenir as consequências negativas da depressão como o suicídio, o insucesso escolar, a ruptura de relações afectivas, etc.

DG 2007

6 Comentários

6 respostas até agora ↓

  • Tereza Cristina // Novembro 24, 2008 às 6:35 pm | Responder

    Este artigo contribuiu para tirar minhas dúvidas, pois trabalho com indivíduos que possuem sintomas e que já tentaram suicídio. É importante que se identifique os sintomas e tentar fazer com que a pessoa mude de idéia, pois, se não for tratados a tempo eles vão tentar até consumar o ato.

  • Regina // Junho 1, 2009 às 1:04 am | Responder

    Estou me enteirando deste assunto. Preciso de ajuda e nem consigo procurar um médico, tenho vontade de ficar sozinha e não conversar com ninguém. Estas informações vieram esclarecer algumas dúvidas, precios de maiores orientações.

  • Dulce Rosado // Junho 23, 2009 às 10:21 am | Responder

    Tenho uma filha com 20 anos que não quer ir ao médico. Recusa-se. Frequentemente discute comigo, porque ela acha que eu sou a pessoa que má e a prejudica. Penso que está revoltada. Usa uma linguagem bastante agressiva comigo e com o pai. Mas o foco pricipal sou eu a mãe. Não consigo chegar a um entendimento com ela, só grita comigo, chama nomes. Na escola está a fazer o 12º ano, está desequilibrada. Não sei o que fazer. Sou uma mãe em apuros.

    Resposta: Cara Dulce, antes de mais agradecer o testemunho… A adolescência pode ser um período de grandes dificuldades para os pais, sobretudo se o seu filho sofrer de alguma perturbação mental… No entanto, nem tudo são doenças! Ser revoltado não é igual a estar doente. Claro que quando subsiste a dúvida o melhor é consultar um profissional de saúde. Neste caso, acontece uma coisa muito comum, o não querer vir ao médico! Enfim, se calhar o que a sua filha quer dizer é que não quer ser obrigada a ir ao médico. Tente falar calmamente com ela, transmitindo-lhe que está preocupada (e porque razões), mas que a decisão final de ir consultar alguém ou de se tratar é dela. Tente reunir várias opiniões de pessoas próximas (irmãos, pai, amigos, familiares) e que cada um lhe transmita o que vê da sua perspectiva que os preocupe.
    Não se esqueça que na maioria das vezes problemas de comunicação estão na base de conflitos, e que estes não se resolvem só de uma parte! Há sempre pelo menos duas pessoas para uma comunicação, tente mudar a maneira como aborda os assuntos, irá ver que mudanças em si irão fazer mudanças na sua filha!
    Não desista e coragem! DG 2009

  • giljhoe dos santos // Setembro 5, 2009 às 5:50 pm | Responder

    ola.sou um jovem adulto tenho 30 anos e gosto bastante deste assunto.pois ja tive depressao e gostaria de saber mais deste assunto se possivel me enviar palestras sobre depressao pois eu gosto de estudar e ajudar a outos.um abraco.

    Resposta: Ver

  • Rosalie // Outubro 21, 2009 às 4:22 pm | Responder

    Olá, eu tenho 16 anos… E ando sinceramente muito triste com tudo e com nada…
    Sinto-me sozinha, e por outro lado até quando fico realmente sozinha no meu quarto sinto um grande alívio, fico em vez de me sentir ainda pior, de certa forma chego a dar por mim a deliciar-me com a solidão. Não sei bem porquê, mas julgo que quando estou sozinha consigo libertar um pouco da tristeza que tenho dentro de mim, e choro ate me doerem os olhos… Porque eu tento, juro que tento não parecer triste a frente das pessoas mas custa tanto, e cada vez esta pior… Eu pensava que era uma fase e que eu iria me animar, mas as coisas estão cada vez piores.
    Eu sou uma pessoa muito reservada, ninguém sabe o que eu sinto ou o que eu penso, simplesmente não consigo que as pessoas sintam a tristeza que tenho dentro de mim, não suportaria tal coisa… Eu não era assim, lembro-me andava sempre de sorriso na cara (verdadeiro pois agora é com esforço que sorriu para as pessoas).
    Estou a escrever porque estou desesperada, preciso de dividir isto de alguma maneira porque a dor que tenho… já não da para aguentar muito mais…
    E ao ver este artigo, pensei que se encaixava um pouco comigo. Eu odeio-me por completo sou horrível não faço nada que preste.
    A minha mãe e o meu irmão são as pessoas que mais amo no mundo. O meu pai eu adoro-o mas ele tem um problema de alcoolismo e também trabalha muito, por isso só o vejo quando ele chega de uma noitada qualquer ou a dormir… Eu nem sei como e que a minha mãe o sustenta, eu já o tinha mandado para a rua por mais que o adore, e sei que ele também gosta de nos mas, ele não faz nada de nada a minha mãe e que paga as contas da casa tudo ele só gasta dinheiro no álcool no tabaco. O tabaco outra treta que o medico dele já lhe disse que daqui a 5 anos ele vai ficar agarrado a uma bomba de oxigénio (6 maços por dia se não mais…) e isto já lá passou 1 ano por isso faltam 4.
    Bem voltando ao meu assunto não que tenha lá grande importância mas estou como disse desesperada. Ultimamente só penso em como acabar com a minha vida já não sei o que fazer! Desculpem ……

    Resposta: Cara Rosalie, antes de mais queremos dar os parabéns pela forma como expôs a sua situação. Este tipo de problemas familiares/ médicos são muitas vezes um factor que pode levar a uma depressão (com os sintomas descritos por si), especialmente em pessoas que têm dificuldades em “desabafar” com os outros (o que é sempre importante e ajuda, ao contrário de “esconder” o que se sente).
    Mas por mais que se sinta sozinha é importante saber que não está, há pessoas dispostas a ajudar… agora é preciso deixar que os outros ajudem e para isso é preciso falar (com familiares, amigos, terapeutas, médicos, professores… enfim quem estiver por perto). Coragem para esse passo!

  • Rosalie // Outubro 28, 2009 às 4:10 pm | Responder

    Obrigado, e desculpem estar-vos a chatear com os meus míseros problemas, eu devia era preocupar-me com os outros e não comigo. Agradeço muito terem respondido.
    Eu alguns dias atrás tive alguns problemas em esconder da minha mãe, porque ultimamente estou muito temperamental e com as emoções a flor da pele.
    Eu fui operada ao joelho fiz uma rotura de ligamentos cruzados, não foi nada de mais mas ando ainda na fisioterapia e ainda vou andar, ate ao final do ano. E eu estava a fazer os exercícios de fisioterapia mas era daqueles dias em que me sentia pior tinha chorado mais que o normal. Estava exausta, porque nas noites anteriores tive varias insónias e o meu dia de aulas fora muito cansativo. Então eu estava mesmo quase a chorar a frente dos médicos e de as pessoas que estavam ali, eu não queria por isso calei-me e o meu fisioterapeuta mando-me fazer mais exercícios. Eu estava furiosa com ele mesmo e quando fico zangada ou nervosa, os meus vasos lacrimais tem tendência a deixar-me ficar mal, estava quase no meu limite. Deixei que eles (os médicos) pensassem que eu ficara chateada com eles pelo motivo de me terem dado mais exercícios para fazer. Mas quando cheguei ao carro, a minha mãe perguntou-me o que eu tinha, e que eu não devia ser mal criada com os médicos pois eles estão só ali para ajudar, eu desatei a chorar… Não aguentei mais, foi horrível a minha mãe perguntou se eu tinha dores ou algo do género eu nem conseguia falar estava em pânico, de só de pensar que ela se iria aperceber… Só lhe disse que andava um pouco sentimental e nervosa coisas de mulheres… Ela não pareceu muito convencida mas acho que se esqueceu do sucedido…
    Eu não tenho capacidade de preocupar as outras pessoas com os meus problemas visto que estas têm problemas muito piores. Eu só sou uma adolescente parva que devia era estar sossegada… Amigos tenho muitos mas como costumo dizer são apenas conhecidos… Apenas uma amiga sabe que algo não esta bem comigo porque chorei varias vezes a sua frente e sinto-me muito culpada por isso, ela não se tem de preocupar comigo… Obrigado mais uma vez e desculpem estar a escrever mais um testamento…
    Eu hei-de de superar, hoje sinto que sim, amanha não sei. Mas tem de ser sozinha. Demora? Sim, mas não tenho outra hipótese. Tem de ser… porque não tenho ninguém a quem eu possa e consiga realmente falar sobre isto.
    Obrigado por lerem o que escrevo ajuda muito sentir que alguém pode compreender o que sinto. Eu agora vou-me concentrar nos estudos, quero levantar a minha media de 16 é uma porcaria, e esquecer dos problemas por mais difícil que seja, por mais vezes que chore, por mais que me sinta uma inútil e sem sentido para a vida. Tenho medo do futuro, tenho medo de viver e não ser ninguém, tenho medo de ficar sozinha (o que ultimamente tem me perseguido). A morte uma coisa que me passa pela cabeça varias vezes, mas tenho medo dela tenho medo de sofrer mais do que estou a sofrer. Desculpem mais uma vez estar a incomodar com isto eu sei que tenho que superar isto sozinha desculpem e obrigado por me darem uns minutos da vossa atenção.

Deixe um comentário