Perturbações do Comportamento Alimentar
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Anorexia Nervosa
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Bulimia Nervosa
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Binge Eating
1. ANOREXIA NERVOSA
A Anorexia Nervosa é uma doença que afecta, sobretudo, jovens adolescentes do sexo feminino. Pode no entanto ocorrer em pessoas de ambos os sexos e das mais variadas idades.
A característica mais comum é a perda de peso, associada a uma progressiva mudança de comportamento.
Habitualmente inicia-se como uma dieta normal, em que a restrição alimentar se torna cada vez mais progressiva. A certo ponto já não é a pessoa que controla a sua dieta, a dieta passa a dominar a sua vida. Estes doentes, começam a perder o contacto com os amigos, a perder interesse nas suas actividades, progressivamente, vão deixando de se interessar por tudo aquilo que não seja a perda de peso.
As tentativas para lhes fazer diminuir, ou acabar, com a restrição alimentar, são normalmente encaradas com muita resistência. É habitual que se criem conflitos com a família e com os amigos… O inicio de discussões, ameaças e suborno, acerca de questões alimentares são razões suficientes para desconfiar de um caso de Anorexia Nervosa.
É habitual surgirem comportamentos obsessivos na cozinha, preocupando-se com questões como a arrumação, a pesagem e a quantificação das calorias dos alimentos, as horas exactas de tomar as refeições. É habitual que as pessoas com Anorexia Nervosa cozinhem para a família, encorajando-a a comer.
Passado algum tempo, os seus argumentos, face à sua visível perda de peso e fraca alimentação, diminuem, a “dependência” aumenta e o seu comportamento passa a afectar, e a controlar, todos aqueles que a rodeiam.
Qual a causa?
Existem alguns aspectos nas causas para a Anorexia Nervosa que ainda são desconhecidos. Mas sobre aquilo que é conhecido, existem diversos factores que juntos poderão provocar esta doença.
Esses factores incluem: a natureza da personalidade da rapariga em causa; aspectos familiares – como por exemplo, a forma de relacionamento entre membros da família – e eventuais problemas que tenha fora de casa, sobretudo na escola.
Existe ainda uma causa que pode aumentar o risco de vir a sofrer de Anorexia Nervosa: a predisposição genética, ou seja, haver na família alguém que sofra da mesma doença.
O “gatilho” para a Anorexia Nervosa, é a perda de peso sem justa causa, normalmente encarada com uma pequena dieta para reduzir “gordurinhas”.
As personalidades destas raparigas são caracterizadas por serem conformistas, disciplinadas e trabalhadoras.
Comparativamente a outras raparigas da mesma idade, as anorécticas parecem ter no seu comportamento uma maior sensibilidade, tendendo a ser mais obsessivas, organizadas, muito meticulosas e cuidadosas.
Estas características marcam, normalmente, presença antes de sofrerem Anorexia Nervosa e acentuam-se com o desenvolvimento do distúrbio alimentar.
Os pais dos anorécticos depositam, normalmente, nos filhos grandes expectativas. Mas a Anorexia Nervosa é uma doença que dificilmente lida com a imposição dos valores criados pelos progenitores, pois as anorécticas estabelecem excessivos padrões para si próprias.
Existem dois tipos de Anorexia Nervosa:
- Anorexia Nervosa Restritiva – É caracterizada por uma dieta rigorosa e recusa em manter um peso normal;
- Anorexia Nervosa Compulsiva/Purgativa (também designada por Anorexia Nervosa Bulimica) – Aqui predominam as crises bulimicas e os comportamentos para evitar o aumento de peso.
Quais são as consequências?
São graves e muitas vezes podem por a pessoa em risco de vida!

Como se trata?
O primeiro passo no tratamento da Anorexia Nervosa é também o mais difícil de dar: antes de tudo, é preciso que o doente admita e assuma que tem um problema.
O tratamento é complexo e muitas vezes demorado. Envolve obrigatoriamente uma equipa de vários profissionais: psiquiatras, psicólogos, nutricionistas, terapêutas familiares, endocrinologistas, médicos de medicina geral.
O principal tratamento é a psicoterapia, em que é a trabalhada a relação com o corpo e a focalização dos mais variados problemas no corpo e na alimentação. A educação e a compreensão da condição é também essencial. O tratamento farmacológico é habitualmente pouco eficaz, sendo reservado para fases de manutenção ou para o tratamento de outras doenças associadas como a depressão, a doença bipolar ou a ansiedade. As consequências da Anorexia tem também de ser tratadas, como a osteoporose, a anemia os desequilibrios dos iões do sangue.
É obrigatório envolver a família e as pessoas chegadas ao doente.
Em casos gravos poderá ser preciso internar.
2. BULIMIA NERVOSA
A Bulimia Nervosa é uma doença que afecta, sobretudo, raparigas no final da adolescência.
Esta doença é caracterizada por momentos de voracidade alimentar, ou seja, de ingestão de grandes quantidades de alimentos num curto espaço de tempo. Alimentos esses que são, na sua maioria, compostos por hidratos de carbono. Seguidos de comportamentos compensatórios, como períodos de jejum prolongado, vómito provocado, uso de laxantes e exageros no exercício físico.
Mas se as “técnicas compensatórias são inicialmente usada para combater os ataques vorazes aos alimentos, posteriormente, passa a ser feita de forma descontrolada, criando um ciclo, conhecido como o ciclo bulímico:

Normalmente, acham o seu próprio comportamento repulsivo e vergonhoso, por isso, procuram mantê-lo em segredo.
Um dos factores que pode induzir à descoberta desta doença deve-se ao facto dos doentes procurarem sair da mesa imediatamente a seguir a uma refeição para vomitarem o que acabaram de ingerir.
A provocação repetida do vómito é uma manifestação frequente, que pode ter consequências muito graves. Habitualmente leva a que glândulas salivares aumentem, o que se pode verificar através de pequenos inchaços visíveis na base das orelhas, ou mesmo debaixo do queixo. Pode levar a esofagite (inflamação do esófago), que é um factor de risco para câncro do esófago, pode acontecer que durante o episódio haja hemorragia ou mesmo ruptura esofágica (com risco muito elevado de morte).
Quem sofre de Bulimia Nervosa tem, normalmente, comportamentos paradoxais.
Se por um lado “controlam” aquilo que comem, usando para isso o vómito, por outro, têm crises de voracidade alimentar totalmente descontroladas. As bulimicas vivem sob o medo constante de não poder controlar esses ataques de fome, o que acentua a doença, passando a dominar todas as suas experiências emocionais.
Qual a causa?
As causas para a Bulimia Nervosa são, em grande parte, desconhecidas. No entanto, a predisposição genética é sem dúvida um bom contributo. Possivelmente estão envolvidos aspectos socioculturais, psicológicos, individuais, familiares e neuroquímicos.
Distúrbio no seio familiar, eventos stressantes relacionados com a sexualidade e formação da identidade pessoal são apontados como factores desencadeantes da bulimia.
Existem dois tipos de Bulimia Nervosa:
- Tipo purgativo – a pessoa envolve-se regularmente na auto indução ao vómito ou recorre ao uso de medicamentos.
- Tipo não purgativo – a pessoa não recorre ao uso do vómito ou de medicamentos, utiliza outros comportamentos como o excesso de exercício físico ou jejuns.
Quais são as consequências?
São várias e podem ser graves, listamos algumas das mais comuns
- Sangue
- Desidratação
- Alterações dos iões sanguíneos
- Anemia
- Sistema cardiovascular
- Arritmias
- Alterações cardíacas
- Tonturas
- Alterações psiquiátricas
- Ansiedade
- Depressão
- Auto-agressividade
- Baixa auto-estima
- Ginecológicas
- Ciclo menstrual irregular ou ausente.
- Sistema intestinal
- Prisão de ventre
- Dores
- Inchaço
- Esofagite
- Cancro esófago
- Ruptura do esófago
- Aftas
- Úlceras
- Boca
- Aumento das glândulas salivares
- Cáries e corrosão dos dentes
- Sensibilidade dentária
- Mau hálito
- Pele e músculo
- Fadiga muscular
- Escoriações nos dedos
- Pele seca
Como se trata?
O primeiro passo no tratamento da Bulimia Nervosa, é tal como na Anorexia admitir e assumir que se tem um problema.
O tratamento também é complexo e envolve vários profissionais de saúde, a família e amigos da doente.
O primeiro objectivo no tratamento é o de acabar com o ciclo de ingestão compulsiva, seguida de manobras purgativas ou de jejum prolongado. Por isso, é necessário que seja aceite o estabelecimento de um padrão alimentar regular e disciplinado.
A utilização de medicação pode ajudar a quebrar o ciclo bulímico, controlando a impulsividade.
A psicoterapia pode ser útil para mudanças na forma como é controlada a ansiedade e a culpa.
3. BINGE EATING
Embora seja difícil de traduzir do inglês poderá chamar-se: crises de voracidade alimentar sem purga ou compulsão alimentar.
Este distúrbio do comportamento alimentar é caracterizado pela ingestão descontrolada de comida e consequente aumento de peso.
Apesar de partilhar muitas das características da Bulimia Nervosa, tem algumas particularidades:
- Não se observam comportamentos compensatórios de forma sistemática
- Ocorre tanto em homens como mulheres
- Existe uma maior facilidade de reconhecer que tem um problema alimentar
O indivíduo afectado vê nos alimentos a forma de ultrapassar o stress, os conflitos emocionais e os problemas quotidianos. De um modo geral, o doente sente-se fora de controlo.
O Binge Eating é habitualmente pouco reconhecido e não é habitualmente levado a sério. Os doentes acabam muitas vezes por ser direccionados para clínicas de emagrecimento e centros de beleza, em vez de receber tratamento adequado.
Tal como a Anorexia e a Bulímia Nervosas, as Crises de Voracidade Alimentar são um problema grave.
Quais são as consequências?
Sobretudo o excesso de peso com todas as consequências negativas para a saúde que daí advém.
Problemas psiquiátricos ou psicológicos, como baixa auto-estima, fobia social, depressão, etc.
Como se trata?
Envolve tratamento psiquiátrico, psicológico e apoio nutricional.
A utilização de medicação pode ajudar a controlar a impulsividade para comer.
A psicoterapia pode ser útil para procurar outras maneiras , que não comer compulsivamente, para lidar com stresse e ansiedade.
O nutricionista poderá ajudar no planeamento de hábitos alimentares saudáveis.
DG 2009
PS: Para mais informações consultem a página do Núcleo de Doenças do Comportamento Alimentar (do qual muita desta informação foi tirada) e da Associação Portuguesa de Nutricionistas.
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