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Suicídio e antidepressivos – os factos

Agosto 23, 2007 · 1 Comentário

O suicídio é a terceira causa de morte em jovens, as taxas de suicídio variam entre 2 a 44 por 100.000 indivíduos.

Hoje em dia reconhece-se que muitas perturbações mentais vistas nos adultos se iniciam na infância, e que a prevalência de problemas como a depressão e os comportamentos suicidários aumenta marcadamente na adolescência. Embora a morte por suicídio no sexo masculino seja quatro vezes superior à do sexo feminino, as tentativas de suicídio são mais comuns no sexo feminino

Mais de 90% dos suicídios ocorrem no contexto de doença psiquiátrica, sendo que a depressão se afigura, de longe, como a mais significativa.

Vários estudos têm demonstrado a eficácia do tratamento com antidepressivos na prevenção do suicídio. Vamos exemplificar alguns:

  • O grupo de estudo de Zurique (Zurich cohort study), é uma importante fonte de dados em psiquiatria e saúde mental, é composto por 4547 pessoas, que vivem normalmente as suas vidas, sendo os acontecimentos de vida analisados e estudados. No estudo abaixo foram analisados os suicídios ocorridos entre 1959 e 1997. Podemos observar que a probabilidade de suicídio no grupo de doentes tratados é significativamente menor.

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  • O mesmo estudo mostra-nos a taxa de sobrevivência de doentes deprimidos, comparando aqueles que faziam antidepressivos e os que não faziam. É possível observar que aqueles que trataram a depressão com antidepressivos tiveram maior sobrevivência, uma parte disto é devido ao facto de terem cometido menos suicídios.

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  • Outro estudo, realizado nos países nórdicos, associa o aumento do uso de antidepressivos (de 1% em 1991 para 3,4% em 1996), com a diminuição de 19% do número de suicídios.

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Múltiplos outros estudos confirmam que o uso de antidepressivos reduz o risco de suicídio. No entanto, particularmente em relação ao seu uso em adolescentes, alguma controvérsia tem surgido. Muito devido ao peso dos media, o pânico instalou-se. “Os antidepressivos levam ao suicídio de adolescentes”, tendo em conta o que foi apresentado antes, isto parece um contra-senso.

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Quais são então os factos?

Facto 1: Múltiplos estudos associam o uso de antidepressivos a tentativas de suicídio e suicídios completos.
Significado: Isto significa simplesmente que estes medicamentos estão a ser utilizados para a indicação correcta, a depressão (que é o principal factor de risco para suicídio). Para além disto, significa que o uso de antidepressivos não elimina automaticamente o risco de suicídio.

Facto 2: A depressão tem características diferentes na adolescência, nomeadamente maior descontrolo dos impulsos. Os antidepressivos podem aumentar o nível de energia antes de melhorarem os pensamentos suicidas, aumentando o impulso para o suicídio.
Significado: Isto sublinha a necessidade de um seguimento apertado nas primeiras semanas de tratamento. Para além disto indica que, em adolescentes, a prescrição de antidepressivos deve ter em conta a impulsividade. Os antidepressivos inibidores selectivos da recaptação da serotonina (SSRI) são os únicos recomendados na adolescência por apresentarem um menor grau de activação e possível papel no controle dos impulsos.

Facto 3: A maior parte dos suicídios ocorre antes do inicio do tratamento e não depois.
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Significado: A maior parte dos suicídios completos ocorre em depressões não tratadas. A ideia que antidepressivos levam a suicídio deverá ser substituída por uma depressão não tratada leva ao suicídio.

Facto 4: A utilização de antidepressivos está mais relacionada com tentativas de suicídio do que com suicídios completos.
Significado: A maior parte dos suicídios são por ingestão de comprimidos, os antidepressivos prescritos para adolescentes tem baixo grau de letalidade. Pelo contrário pessoas não medicadas têm maior tendência a utilizar métodos mais letais.

Facto 5: O risco de suicídio após começar medicação é de 3 em cada 5000 jovens abaixo de 18 anos. O risco de tentativa de suicídio é cerca de 17 em cada 5000.
Significado: Ao contrário da mensagem passada pelos media, trata-se de um evento raro.

Facto 6: Este aumento do risco de suicídio inicial existe também em adolescentes tratados apenas com psicoterapia e sem antidepressivos.
Significado: Todos os tratamentos têm riscos, no entanto é necessário avaliar o grau de risco/ beneficio. Como já foi dito, o risco de suicídio de uma depressão não tratada é muito maior do que se for tratada.

Resumindo:

  • O tratamento da depressão na adolescência com antidepressivos está ligado a um aumento inicial do risco de tentativas de suicídio.
  • Este risco embora pequeno existe e está relacionado com a impulsividade própria da adolescência.
  • O risco de suicídio completo é bastante menor que o das tentativas. O risco é também significativamente menor do que quando a depressão não é tratada.
  • Os estudos que existem até à data não nos dão certeza absoluta que o responsável por este risco seja exclusivamente a terapêutica antidepressiva, uma vez que este aumento inicial também foi observado com o tratamento psicoterapêutico.
  • É essencial que o inicio do tratamento seja vigiado por técnicos de saúde treinados nesta área, utilizando antidepressivos específicos, com baixo grau de letalidade e menos activadores (SSRI).

DG 2007

Categorias: Adolescentes · Adolescência · Depressão · Psiquiatria · antidepressivos · suicídio
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1 response até agora ↓

  • Carlos Palma // Julho 29, 2008 às 2:12 pm | Responder

    Descobri agora o site por mero acaso. Já o coloquei nos favoritos para o ver com mais vagar.
    Faço este comentário para vos dizer que por experiência própria das 3 vezes que passei da ideação ao acto do suicídio estava a ser medicado com fluoxetina.
    A classe médica sabe que este excelente químico em algumas pessoas provoca o que aconteceu comigo embora haja interesses económicos que são contra esta realidade.
    Felicidades.
    http://depressao.planetaclix.pt/

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